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17 de janeiro de 2013

Fettuccine alla romana

[Post publicado em 22/4/2011]

Depois de muito tempo sem marcar presença na cozinha, hoje brinquei de chef e coloquei em prática aquele que creio ser um dos mais fáceis - e sem dúvida o mais saboroso - dos pratos à base de molhos vermelhos: o fettuccine alla romana.

É simplesmente delicioso!
Esse prato é uma combinação de sabores intensos e marcantes, e recomendo seja apreciado com um excelente suco de uva integral, uma água com gás de primeira, ou quem sabe ambos juntos, meio a meio, bem gelados... mas isso já é papo para outro post.

Vamos à receita mágica (como diz meu amigo Jojó, para o meeeu paladar...). E se você deseja impressionar convidados, prepare seu ego para os elogios...

Para 4 pessoas, um pacote de 500g é suficiente. Mas escolha um fettuccine preferencialmente fresco, ou de excelente qualidade, daqueles mais largos, muuuito largos.

Descasque uma cabeça de alho - ou mais, se você for um apreciador desta iguaria - e corte cada dente em fatias bem fininhas. Ponha o alho para fritar com azeite de oliva, depois que começar a dourar, acrescente cogumelos frescos fatiados, alcaparras e azeitonas pretas inteiras sem caroço.

Deixe fritar mais um pouco e depois acresça 6 a 8 tomates inteiros pelados, daqueles que já vem em latas, para facilitar o trabalho, claro. Afinal, estamos aqui para nos divertir!

Aos poucos, o tomate vai-se desmanchando, mas não queremos que se desfaça por completo, pois os pedaços darão um toque especial ao prato na hora de servir.

Acrescente sal a gosto e tempere com noz moscada em pó, ervas de provence e outras especiarias, sem moderação. A partir daqui, a obra de arte em concepção passa a ser do próprio autor eventual, que é assim co-criador da receita. Esta, por sua vez, passa a ser dinâmica, mutante, pois se aprimora a cada preparo, em cada lar.

Voltando ao sabor da nossa pasta, nesse ponto do cozimento, o tomate soltará bastante líquido, portanto não é necessário acrescentar água, basta deixar fervendo alguns minutos em fogo baixo, com a frigideira tampada ou semi-aberta.

Enquanto isso, a água do fettuccine já está a ferver, podendo ser acrescentado um fio de azeite e um caldo de legumes. Aponha a massa no instante da ebulição e deixe cozer pelo tempo marcado na embalagem. Mas aplique aqui o axioma número 1 do Método DeRose, não acredite: acompanhe a alquimia do cereal na água fervente e desligue o fogo quando estiver al dente, já tendo preparado o escorredor. Este é um momento precioso, pois se a retirada da água não se der rapidamente, nos arriscamos a estragar o ponto da massa e tudo vira uma gororoba.

Pronto, acrescente o molho sobre a macarronada e mais um pouco de azeite, se lhe aprouver.
Para fechar, um queijo grana ralado na hora será o catalisador dessa delícia a embriagar seu paladar e de seus amigos.

E nessa boa mesa, regada ainda a pimenta e depois um café gourmet, o prazer da companhia faz de uma noite de outono aquela experiência sensorial inesquecível.

Buon appetito!

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5 de julho de 2012

Mentalize a coisa certa, do jeito certo...


Este artigo foi escrito para publicação no livro Mentalização - o poder de transformar a realidade, do Instrutor Carlo Mea, Diretor da Unidade Parioli (Roma - Itália), Escola Credenciada do Método DeRose.

O livro está em fase final de revisão para publicação em breve, e a publicação antecipada deste trecho é também uma homenagem ao meu amigo Carlo, grande guerreiro do SwáSthya!!

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"Professor Rodrigo De Bona é Vice-Presidente da Federação do Método DeRose de Santa Catarina (Brasil), autor de três livros de sucesso e director da Unidade Kobrasol, no mesmo Estado.
Um dia, depois de um período prolongado de obras na sua Unidade, viu-se em dificuldades económicas. Durante um círculo de mentalização (sat chakra) muito poderoso, feito exclusivamente entre os instrutores na sede da sua Federação, mentalizou muito dinheiro se lhe chegando. Imaginou que notas de 100 Reais lhe choviam em cima, muitas e muitas notas a voar em torno de si.
Terminada a prática de mentalização, saiu com os instrutores para jantar em um restaurante próximo. Estacionou seu carro do outro lado da rua e, ao atravessar, viu uma carteira no meio da via, e não era uma marca qualquer, era uma Montblanc! Abriu a carteira e estava cheia de notas de 100 Reais, além de muitos cartões de crédito!
Obviamente, com base no tão especial código de ética da nossa proposta cultural, Professor Rodrigo decidiu imediatamente devolver a carteira ao dono. Abriu-a e achou um documento de mergulhador com foto. Foi-se então à procura do dono: entrou em um café que estava em frente, buscando dentre os clientes sorridentes aquele rosto estático de uma foto 3x4, mas não o encontrou. Chamou um garçom para pedir ajuda, o qual, não tendo também localizado a pessoa dentre os comensais, saiu com ele do estabelecimento para despedirem-se.
Nesse instante, eis que o garçom, ao olhar para o meio da rua, vislumbrou uma nota de 100 Reais a esvoaçar rente ao chão. Depois outra e mais outra ainda. Eram várias, espalhadas pela rua a revoar com o vento em um redemoinho monetário tentador! Foram ao encontro delas para recolhê-las, o garçom pegou uma nas mãos com todo cuidado, pois aquilo era para ele talvez o equivalente a uma semana inteira de trabalho. Mas, rigoroso com seus princípios, Rodrigo lhe pediu de volta a nota e colocou-a na carteira, dizendo que iria devolver todas, juntamente com os documentos, tal qual encontrou.
Na carteira havia alguns cartões de visitas do proprietário, que era dono de uma empresa de táxi aéreo, lojas de automóveis etc. Assim, telefonou na mesma hora para o dono do achado, que estava em casa e, estupefato, informou ainda nem sequer ter-se dado conta de que havia perdido seus pertences. Ele passara de moto naquela rua minutos antes e a carteira caíra do bolso de sua jaqueta, espalhando o dinheiro pela rua ao longo de dezenas de metros. Imediatamente combinaram de se encontrar no caminho para casa e, menos de 10 minutos depois, o empresário já estava com todos os seus cartões intactos, sua bela carteira Montblanc e cada uma de suas notas de 100 Reais devidamente organizada.
Naquele momento, Rodrigo titubeou, disse que se arrependera de não ter deixado pelo menos uma das notas com o garçom, pois ela não faria nenhuma falta ao rico homem de negócios, mesmo assim, no momento de decisão, fez a escolha que achava mais justa. O homem ainda tentou oferecer-lhe todo o dinheiro achado, pois o que lhe interessava eram os cartões e também a rara carteira negra. Obviamente a oferta não foi aceita, pois não parecia justa. Trocaram seus cartões de contatos e foram-se para casa: um, feliz por ter achado aquilo que nem o sabia perdido, outro por ter feito aquilo que sua consciência considerava obviamente o correto: devolver ao dono o que lhe é de direito, já que todo aquele dinheiro não era seu.
Hoje em dia, a Unidade Kobrasol está reformada, ainda maior, mais bonita e tem uma óptima estabilidade económica. Rodrigo fez questão de comprar sua prórpia carteira Montblanc, como forma de lembrar-se da justa busca pelo sucesso vista naquele empresário desatento, mas também da ética que deve sempre permear nossa vida.
Mas o mais importante que esta história nos ensina é que não basta mentalizar o que se quer, é preciso fazê-lo com absoluta riqueza de detalhes, em todas as suas nuances. Não adianta apenas imaginar que apareçam notas de 100 a lhe chover em cima, é preciso mentalizar que todas elas sejam realmente suas! Mentalize você recebendo-as em mãos, veja-se segurando e guardando-as com a consciência tranquila de que você fez tudo o que devia e merece ter aquele dinheiro.
É exatamente o que nos ensina nosso Mestre DeRose desde a década de 1960 (Prontuário de Yôga Antigo, edição histórica só para colecionadores):
“Jamais imaginar o que não se deseja ver realizado. O pensamento negativo é mais poderoso do que o positivo, porque o ser humano está educado e condicionado no sentido de utilizá-lo mais. “
“Visualizar somente o que se quer ver realizado e fazê-lo com nitidez e objetividade quase concreta, nos seus mínimos detalhes e minúcias, durante o máximo possível de horas ao dia e todos os dias, ininterrupta, incansável e entusiasticamente, até obter sua cristalização no plano da matéria física.”
“Mentalizar é criar no plano mental o que queremos ver precipitado no nosso mundo individual.”
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13 de fevereiro de 2012

Você está insatisfeito?


Extraído do livro Método de boas maneiras, do Comendador DeRose.

Meio século de vida me ensinou a aceitar um defeito do ser humano como algo incurável: sua insatisfação.

Dei a volta ao mundo inúmeras vezes e conheci muita, mas muita gente mesmo. Travei contato íntimo com uma infinidade de fraternidades iniciáticas, entidades culturais, associações profissionais, academias desportivas, universidades, escolas, empresas, federações, fundações... Em todas elas, sem exceção, havia descontentamento.

Em todos os agrupamentos humanos há uma força de coesão chamada egrégora. Pela lei de ação e reação, toda força tende a gerar uma força oponente. Por isso, nesses mesmos agrupamentos surgem constantemente pequenos desencontros que passam a ganhar contornos dramáticos pela refração de uma ótica egocêntrica que só leva em conta a satisfação das expectativas de um indivíduo isolado que analisa os fatos de acordo com suas próprias conveniências.

Noutras palavras, se os fatos pudessem ser analisados sem a interferência deletéria dos egos, constatar-se-ia que nada há de errado com esses fatos, a não ser uma instabilidade emocional. Instabilidade essa que é congênita em todos os seres humanos. Uma espécie de erro de projeto original, que ainda está em processo de evolução. Afinal, somos uma espécie extremamente jovem em comparação com as demais formas de vida no planeta. Estamos na infância da nossa evolução e, como tal, cometemos inapelavelmente as imaturidades naturais dessa fase.

Observe que raríssimas são as pessoas que estão satisfeitas com seus mundos. Em geral, todos têm reclamações do seu trabalho, dos seus subalternos e dos seus superiores; da sua remuneração e do reconhecimento pelo seu trabalho; reclamações dos seus pais, dos seus filhos, dos seus cônjuges, do seu condomínio, do governo do seu País, do seu Estado, da sua cidade, da polícia, da Justiça, do departamento de trânsito, dos impostos, dos vizinhos mal-educados, dos motoristas inábeis, dos pedestres indisciplinados... Quanta coisa para reclamar, não é?

Se formos por esse caminho, concluiremos que o mundo não é um lugar bom para se viver e seguiremos amargurados e amargurando os outros. Ou nos suicidaremos!

Já na antiguidade os hindus observaram esse fenômeno da endêmica insatisfação humana e ensinaram como solucioná-la:

"Se o chão tem espinhos, não queira cobrir o chão com couro. Cubra os seus pés com calçados e caminhe sobre os espinhos sem se incomodar com eles."

Ou seja, a solução não é reclamar das pessoas e das circunstâncias para tentar mudá-las e sim educar-se a si mesmo para adaptar-se. A atitude correta é parar de querer infantilmente que as coisas se modifiquem para satisfazer ao seu ego, mas sim modificar-se a si mesmo para ajustar-se à realidade. Isso é maturidade.
A outra atitude é neurótica, pois jamais você poderá modificar pessoas ou instituições para que se ajustem aos seus desejos. Não seja um desajustado.

Então, vamos parar com isso. Vamos aceitar as pessoas e as coisas como elas são. E vamos tratar de gostar delas. Você vai notar que elas passam a gostar muito mais de você e que as situações que antes lhe pareciam inamovíveis, agora se modificam espontaneamente, sem que você tenha que cobrar isso delas.

Experimente. Você vai gostar do resultado!
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28 de janeiro de 2012

Não reclame. Mude!

Há um comportamento que parece inato do ser humano: a atitude de reclamar.
Se você não gosta do seu emprego, mude o jeito de trabalhar, mude aquilo que você não gosta, interfira no mundo ao seu redor.
Mude o emprego, ou então mude de emprego. Mas não fique na mesma, e reclamando das coisas.
O hábito de reclamar afeta diretamente o emocional do reclamão, mas caso se torne crônico, pode até ser somatizado em uma doença.
Não tem coisa mais neurótica do que um marido ou esposa reclamando do seu cônjuge o tempo todo para os amigos ou amigas!
O casamento não está mais dando certo? Que tal fazer uma DR num restaurante bem legal, ou tentar recuperar o carinho perdido com uma nova lua-de-mel bem romântica em Buenos Aires?
Mude o seu casamento!! Ou então mude de casamento!!!
Reclamar não muda nada, e ainda estressa todo mundo à sua volta e faz um mal danado para você.

18 de janeiro de 2012

As árvores e as pedras

Era uma vez um menino cheio de idéias estranhas. Ele achava que o infinito era pequeno e que o eterno era curto. Conversava com as Árvores e com as Pedras, e emocionava-se com elas, pela magnitude do que lhe contavam. Um dia as Árvores lhe disseram:
- Sabe? No nosso Universo cada uma de nós cumpre o que lhe cabe, pela satisfação de fazer assim. Nenhuma de nós se exime da sua parte. Os humanos passam suas vidas a só fazer coisas que lhes resultem em tensões, infelicidade e doença. Não fazem o que realmente gostariam. Caem no cativeiro da civilização, trabalham no que não gostam para ganhar a vida e perdem-na, em vão, ao nada fazer de bom. Por isso tornam-se rabugentos, envelhecem e morrem insatisfeitos. Procure você viver feliz como nós, pois alimentamo-nos, respiramos e reproduzimo-nos, tal como nos dá prazer. Assim, quando morremos, na verdade continuamos vivas em nossas sementes e crescemos de novo. Vá e ensine isso aos que, como você, podem ouvir nossas palavras. Fará muita gente feliz, livre da escravidão da hipocrisia.
O menino ainda era pequeno para saber a extensão do que lhe propunham as Árvores, mas concordou em levar essa mensagem aos homens. Entretanto as Pedras, que até então tinham-se mantido muito quietas, começaram a falar e disseram coisas aterradoras!
Uma Pedra maior e coberta de musgo, o que lhe conferia um ar ancião e sacerdotal, tomou a frente das demais e falou fundo, ecoando dentro da sua alma:
- Não, você não deve cometer a imprudência de levar aos homens a mensagem das Árvores. Nós somos Pedras frias e friamente julgamos. Estamos aqui há mais tempo do que elas e temos visto o transcorrer desta pequena História Universal dos humanos.
Antes de você, muitos receberam essa mensagem e foram incumbidos, por elas, de recuperar a felicidade que os hominídeos perderam ao ignorar as leis naturais. Todos quantos tentaram ajudar a humanidade foram perseguidos, difamados e martirizados. Cada um conforme os costumes de sua época: crucificados em nome da justiça, queimados em praça pública em nome de Deus e tantos outros martírios pelos quais você mesmo já passou várias vezes e se esqueceu...
Hoje você pensa que não corre mais perigo e aceita tentar outra vez. Quanta falta de senso! Quando começar a dizer as coisas que as Árvores transmitiram, vão primeiro tentar comprá-lo. Se você não sucumbir ao tilintar dos trinta dinheiros, então será preciso que seja realmente um forte para permanecer de pé, pois passarão a agredi-lo de todas as formas.
Mas o menino respondeu prontamente. Tomou um ramo em uma das mãos e uma pedra na outra, e bradou:
- Este é meu cetro. E este, o meu orbe. Com o vosso reino elemental construirei nosso santuário e nele reunirei os capazes de ouvir e de compreender. As rochas manterão do lado de fora os incapazes e as toras aquecerão, do lado de dentro, os que reconhecerem o valor deste reencontro.
As Árvores e as Pedras emudeceram. Depois as Árvores o ungiram com o orvalho sacudido pela brisa, e as Pedras deixaram cair em suas mãos o musgo primevo que lhes vestia, como que a abençoá-lo.
Nesse momento, os raios do Sol eram difusos por entre os ramos e a névoa da manhã. O menino olhou e compreendeu: se a luz fosse excessiva não ajudaria a enxergar mas ofuscaria o entendimento. Então agradeceu aos ramos e à névoa. E mesmo às Pedras que o faziam tropeçar para torná-lo mais atento aos caminhos que percorria. E amou a todos... até aos homens!
(Extraído do livro Mensagens, do Educador DeRose)

17 de janeiro de 2012

Mentalize a coisa certa, do jeito certo...


Este artigo foi escrito para publicação no livro Mentalização - o poder de transformar a realidade, do Instrutor Carlo Mea, Diretor da Unidade Parioli (Roma - Itália), Escola Credenciada do Método DeRose.

O livro está em fase final de revisão para publicação em breve, e a publicação antecipada deste trecho é também uma homenagem ao meu amigo Carlo, grande guerreiro do SwáSthya!!

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"Professor Rodrigo De Bona é Vice-Presidente da Federação do Método DeRose de Santa Catarina (Brasil), autor de três livros de sucesso e director da Unidade Kobrasol, no mesmo Estado.
Um dia, depois de um período prolongado de obras na sua Unidade, viu-se em dificuldades económicas. Durante um círculo de mentalização (sat chakra) muito poderoso, feito exclusivamente entre os instrutores na sede da sua Federação, mentalizou muito dinheiro se lhe chegando. Imaginou que notas de 100 Reais lhe choviam em cima, muitas e muitas notas a voar em torno de si.
Terminada a prática de mentalização, saiu com os instrutores para jantar em um restaurante próximo. Estacionou seu carro do outro lado da rua e, ao atravessar, viu uma carteira no meio da via, e não era uma marca qualquer, era uma Montblanc! Abriu a carteira e estava cheia de notas de 100 Reais, além de muitos cartões de crédito!
Obviamente, com base no tão especial código de ética da nossa proposta cultural, Professor Rodrigo decidiu imediatamente devolver a carteira ao dono. Abriu-a e achou um documento de mergulhador com foto. Foi-se então à procura do dono: entrou em um café que estava em frente, buscando dentre os clientes sorridentes aquele rosto estático de uma foto 3x4, mas não o encontrou. Chamou um garçom para pedir ajuda, o qual, não tendo também localizado a pessoa dentre os comensais, saiu com ele do estabelecimento para despedirem-se.
Nesse instante, eis que o garçom, ao olhar para o meio da rua, vislumbrou uma nota de 100 Reais a esvoaçar rente ao chão. Depois outra e mais outra ainda. Eram várias, espalhadas pela rua a revoar com o vento em um redemoinho monetário tentador! Foram ao encontro delas para recolhê-las, o garçom pegou uma nas mãos com todo cuidado, pois aquilo era para ele talvez o equivalente a uma semana inteira de trabalho. Mas, rigoroso com seus princípios, Rodrigo lhe pediu de volta a nota e colocou-a na carteira, dizendo que iria devolver todas, juntamente com os documentos, tal qual encontrou.
Na carteira havia alguns cartões de visitas do proprietário, que era dono de uma empresa de táxi aéreo, lojas de automóveis etc. Assim, telefonou na mesma hora para o dono do achado, que estava em casa e, estupefato, informou ainda nem sequer ter-se dado conta de que havia perdido seus pertences. Ele passara de moto naquela rua minutos antes e a carteira caíra do bolso de sua jaqueta, espalhando o dinheiro pela rua ao longo de dezenas de metros. Imediatamente combinaram de se encontrar no caminho para casa e, menos de 10 minutos depois, o empresário já estava com todos os seus cartões intactos, sua bela carteira Montblanc e cada uma de suas notas de 100 Reais devidamente organizada.
Naquele momento, Rodrigo titubeou, disse que se arrependera de não ter deixado pelo menos uma das notas com o garçom, pois ela não faria nenhuma falta ao rico homem de negócios, mesmo assim, no momento de decisão, fez a escolha que achava mais justa. O homem ainda tentou oferecer-lhe todo o dinheiro achado, pois o que lhe interessava eram os cartões e também a rara carteira negra. Obviamente a oferta não foi aceita, pois não parecia justa. Trocaram seus cartões de contatos e foram-se para casa: um, feliz por ter achado aquilo que nem o sabia perdido, outro por ter feito aquilo que sua consciência considerava obviamente o correto: devolver ao dono o que lhe é de direito, já que todo aquele dinheiro não era seu.
Hoje em dia, a Unidade Kobrasol está reformada, ainda maior, mais bonita e tem uma óptima estabilidade económica. Rodrigo fez questão de comprar sua prórpia carteira Montblanc, como forma de lembrar-se da justa busca pelo sucesso vista naquele empresário desatento, mas também da ética que deve sempre permear nossa vida.
Mas o mais importante que esta história nos ensina é que não basta mentalizar o que se quer, é preciso fazê-lo com absoluta riqueza de detalhes, em todas as suas nuances. Não adianta apenas imaginar que apareçam notas de 100 a lhe chover em cima, é preciso mentalizar que todas elas sejam realmente suas! Mentalize você recebendo-as em mãos, veja-se segurando e guardando-as com a consciência tranquila de que você fez tudo o que devia e merece ter aquele dinheiro.
É exatamente o que nos ensina nosso Mestre DeRose desde a década de 1960 (Prontuário de Yôga Antigo, edição histórica só para colecionadores):
“Jamais imaginar o que não se deseja ver realizado. O pensamento negativo é mais poderoso do que o positivo, porque o ser humano está educado e condicionado no sentido de utilizá-lo mais. “
“Visualizar somente o que se quer ver realizado e fazê-lo com nitidez e objetividade quase concreta, nos seus mínimos detalhes e minúcias, durante o máximo possível de horas ao dia e todos os dias, ininterrupta, incansável e entusiasticamente, até obter sua cristalização no plano da matéria física.”
“Mentalizar é criar no plano mental o que queremos ver precipitado no nosso mundo individual.”
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15 de janeiro de 2012

Ação efetiva: ligue ou escreva cobrando do político que você elegeu

O transporte público no Brasil é um caos, a saúde pública é temerária. Pagamos altos preços por pedágios, como se já não pagássemos IPVA e Licenciamento, gastamos com grades, janelas, cadeados, câmeras, e nos sentimos inseguros como se vivêssemos constantemente sob a ameaça de uma gerra civil.

Se entrevistarmos qualquer brasileiro, ficará clara a insatisfação, a indignação com a péssima qualidade dos serviços públicos que recebemos, apesar de pagarmos uma das mais altas cargas tributárias do mundo. Sentimo-nos simplesmente desprotegidos pelo Estado, abandonados, como o cidadão fosse a última das prioridades.

Enquanto isso tudo acontece diariamente nas ruas do país, nossos políticos e gestores públicos aproveitam-se do cargo para se locupletarem, enchendo suas contas bancárias durante o curto período de poder que usufruem. Isso também é motivo de indignação unânime na nossa população. Ninguém aguenta mais tantos escândalos!

Agora façamos uma reflexão: qual o link, o elo de ligação entre essas duas situações por que tem passado a sociedade brasileira? É uma só, bem simples, curta e eficiente: o VOTO.

No sistema democrático, o voto é a ferramenta que cada cidadão tem para escolher aqueles dentre seus pares que irão representá-lo nas esferas políticas que administram a nação. Ou seja, um voto é como uma procuração, uma carta branca com a qual autorizamos alguém para escolher por nós como as coisas vão funcionar, nas áreas de saúde, na educação, no trânsito, na segurança pública.

Bem, voltemos ao link. Fica muito claro na atual política brasileira que, se por um lado o eleitor está indignado com seus políticos, e com o sufoco que passa em sua vida diária, por outro lado esse mesmo eleitor provavelmente não se lembra em quem votou na última eleição, pra vereador e deputados, nem pensar. Talvez até lembre do seu voto pra prefeito, governador ou presidente.

Se nem sequer lembramos de quem escolhemos para nos representar, com que moral podemos reclamar quando eles não deixam as coisas funcionando como achamos que deveriam funcionar? E não venha dizer que os corruptos estão só em Brasília. Eles estão na sua cidade, no seu bairro, na sua rua!

Escolhemos getores incompetentes, corruptos ou inertes, sem pesquisar a vida profissional, o conhecimento técnico, a honestidade e o caráter do cidadão que elegeremos. Depois reclamamos que as coisas não funcionam como gostaríamos.

Óbvio! Seria um desajuste pensar que poderia ser diferente!! Isso quando não escolhemos nossos candidatos por interesses personais, escusos ou desvirtuados.

Mas, além do voto, há ainda um outro link entre a má qualidade do serviço público e a má qualidade da gestão pública: o Controle Social. Esse termo aparentemente burocrático significa, em outras palavras, ficar de olho no que seus eleitos fazem. Não adianta apenas escolher um bom representante, é preciso acompanhá-lo, cobrar o alinhamento com aquilo que ele prometeu durante a campanha, e que convenceu você a escolhê-lo.

Ou seja, o Brasil só começará a evoluir quando tivermos muito mais consciência no voto, e ainda mais consciência do que acontece depois com quem votamos. Não estamos falando de crescer, e sim de evoluir. O país está crescendo, mas continua imaturo. Precisamos cobrar, reclamar, questionar, mas das pessoas certas: dos eleitos.

Se cada cidadão passasse a cobrar tudo o que vê de errado de seu político mais próximo (normalmente vereador e prefeito), isso já mudaria tudo!

Você sabe qual o e-mail do seu candidado, qual o telefone do escritório na sua cidade, no estado, em Brasília? Já escreveu pra ELE reclamando de algo? Já cobrou ou deu uma bronca em uma mancada dele? Que tal experimentar?

Afinal, como disse um famoso ambientalista francês: pense globalmente, aja localmente. E como nos ensina o Comendador DeRose, é pela ação efetiva que alcançaremos o que tantos sonharam e não conseguiram – porque apenas sonharam, mas não agiram.

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19 de dezembro de 2011

Que tal fazer seu Balanço Patrimonial?

Mais um ano se passou, e parece que cada vez mais rápido!

Já é tradição aproveitarmos esses momentos de festas, férias, reuniões em família e descanso para refletir sobre a vida, pensar no futuro, avaliar o ano e fazer promessas para o novo tempo que está chegando.

Mas este é também um momento muito especial para qualquer empreendedor. É hora de "fechar para balanço", fazer as contas, reajustar os planos, elaborar projeções de investimentos, despesas, viagens... E isso não é coisa que devamos entregar aos nossos contadores, gerentes de bancos e amigos. A não ser que seus conselheiros já sejam ricos, com certeza farão com o seu dinheiro o que a maioria desses profissionais faz com o deles próprios: nada.

Afinal, como diz um comercial de banco atual, "ou você ou o seu dinheiro terão de trabalhar pelo resto da sua vida". O que você prefere?

Por isso, a virada do ano é também ideal para se fazer um Balanço Patrimonial. O que é isso? Simples: faça uma planilha listando todos os seus bens, tudo o que você tem de valor (carro, imóvel, estoque de produtos, ações, poupança, saldo no banco...). "Passe a régua" e você tem o seu total de Ativos. Depois anote à direita todos os seus Passivos (saldo financiado a pagar do carro, apto etc.).

Basta diminuir as dívidas dos ativos e você terá o seu Patrimônio Líquido no final de 2011. Vá mais adiante! Compare seu PL atual com o do ano anterior, para ver qual foi o seu acréscimo patrimonial (para um empreendedor, jamais existe decréscimo!), e vá voltando no tempo, ano a ano, o quanto desejar.

Isso é fundamental para o monitoramento da evolução dos seus planos pessoais, de curto, médio e longo prazo. O que quer que você planeje fazer nos próximos 5 anos, posso garantir, demandará uma boa quantia de dinheiro.

Fazer seu BP Pessoal é como se você estivesse rodando em uma estrada rumo ao destino desejado, mas de tempos em tempos precisasse dar uma parada para ter certeza de que está no rumo certo, o equipamento está bom, as reservas são suficientes até as próximas paradas...

Feito seu Balanço e Evolução Patrimonial, avalie sua Renda de 2011: anote quanto você ganhou em cada mês, por fonte de arrecadação, somando o total mensal, separando Remunerações Fixas e Variáveis. Depois some o total do ano e divida por 12, para termos sua Receita Anual Bruta, bem como a Média Mensal. Faça o mesmo com suas Despesas (se você é mesmo empreendedor, já deve tê-las listadas e sob seu estrito controle): separando-as entre Fixas e Variáveis, calculando seu Gasto Anual e Média Mensal.

Somente a partir daí é possível fazer um consistente Plano de Investimentos, para 2012 em diante! Mas a regra básica do investidor é: para investir, é preciso sobrar; para sobrar, ou se arrecada mais, ou se gasta menos, ou ambos. Se já está sobrando, ótimo! Defina onde você aplicará este recurso, pois se não aplicá-lo é muito provável que chegue ao final do próximo ano sem saber onde foi parar esse dimdim sagrado... Se não está sobrando, planeje o que fazer para sobrar.

Essa é a essência do ciclo de evolução patrimonial: PL sempre crescente.

Ou seja, em toda virada de ano devemos tirar uma "fotografia" sobre nosso patrimônio, renda, planos e perspectivas. E nem é preciso dizer, pois como empreendedor você já sabe que com essas informações poderá fazer muitas escolhas positivas, atuar nas fontes de arrecadação menos relevantes, para que cresçam, ou adquirir um consórcio, financiar um imóvel, planejar novos produtos.

Poderá também cortar aquela despesas supérfluas que decorrem de hábitos muitas vezes nem tão saudáveis. Só não planeje "investir" em passivos, comprar coisas pelo desejo de consumo antecipado, pois isso tem um preço, chamado juros. Aliás aqui outro bom princípio: jamais pague mais de juros do que você receberá de retorno pelo investimento que fez. Pague juros de 2% se você for ganhar pelo menos 2% de retorno onde aplicará o dinheiro financiado.

Posso lhe garantir que, quanto mais rigoroso for seu controle sobre suas finanças, patrimônio e renda, avaliando o passado e planejando o futuro, mais prosperidade você alcançará! Estabeleça suas metas, seus prazos, cumpra seus próprios planos! E faça um bom swádhyáya patrimonial periódico.

Afinal, para que serve a prosperidade se não para nos trazer liberdade, autossuficiência, segurança, conforto, satisfação, saúde, estabilidade? E esses conceitos fazem parte do nosso Método DeRose!

Para encerrar essa conversa, tão interessante aos empreendedores quanto temerosa aos simples "consumidores", seguem algumas dicas de documentos que você deve guardar toda virada de ano, para que este seu Balanço Patrimonial tenha valor, mediante registro da sua Declaração Anual de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF).

E lembre-se, jamais declare-se isento do Imposto de Renda, para prosperar é preciso pagar muito imposto! Deseje pagar bastante, pois assim estará com certeza ganhando muito!

Bom final de ano!

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Caros amigos, estamos chegando ao final do ano, e está na hora de prepararmos o IRPF, como sempre.

Se você tem uma empresa (ME etc.), precisa começar solicitando ao seu contador o fechamento da contabilidade - você precisará desses dados para gerar os Informes de Rendimento com retiradas de lucros e Pró-Labore pra fazer sua Declaração Anual.

Separe também em uma pasta organizada os documentos listados abaixo. Aliás, é bom sempre no início de cada ano abrir um envelope para o IRPF e ir guardando seus documentos principais lá ao longo do ano, para já ter tudo pronto nessa hora.

  • Declarações de rendimentos de todas as contas bancárias - pode ser tirada pela Internet. No extrato da net ou na máquina do banco sempre tem algum link para “Informe de Rendimentos 2011”;
  • Extrato de 2011 de investimentos em títulos de capitalização, aplicações, fundos fixos, ações etc., se já não estiver no mesmo extrato do banco;
  • Extrato de previdência privada referente a 2011 – pode ser pedido no banco ou até retirado pela internet;
  • Documentos de compras ou vendas de carros, imóveis etc., se houver – contrato de compra e venda, recibos, cópia do DUT ou NF do carro etc.;
  • Extrato de pagamentos e saldos devedores de carros ou imóveis financiados – pode ser pedido na construtora ou no banco ou financeira;
  • Extrato de pagamentos e saldos de consórcios de carros imóveis e outros bens;
  • Recibos de receitas de aluguéis ou aulas de alunos – feitos ao longo do ano.
  • Recibos de despesas com médicos, clínicas, hospitais, cirurgias, dentistas etc.
  • Extrato de pagamentos do plano saúde de 2011 – pode pedir pra enviarem por e-mail ou tirar pela internet, lembrando que só valem notas fiscais ou recibos oficiais, numerados e com a identificação do profissional ou empresa;
  • Outros documentos de aquisição ou venda de bens, ou dívidas contraídas ao longo do ano, ou outra mudança patrimonial significativa;
  • Declaração do IRPF do ano anterior, se vinha sendo feita;
  • Por fim, DECORE da Empresa (pra quem é sócio de alguma), incluindo os totais de retirada de lucro e Pró-Labore.

6 de outubro de 2011

Autoaprimoramento canino

Imagine-se levando seu cãozinho consigo para todos os lugares, nos museus, praças, no cinema, inclusive nos elevadores, ônibus, metrôs e restaurantes!

Pois então, isso não é sonho, é realidade. Em países como a Áustria, Alemanha, Hungria e República Checa (que visitamos recentemente), nossos melhores amigos são aceitos em todos os lugares, sem olhares transversos, como se sempre tivessem freqüentado esses meios sociais.

Se causa transtornos? Jamais! É como se os cães soubessem que ali é um lugar de silêncio, de passeio, de aprendizado ou de conversa ao pé do ouvido. Vimos centenas de situações dessas, e em nenhuma delas ouvimos um único latido, nem mesmo quando havia vários animais no mesmo ambiente.

O que será que ocorre? Será que os cães europeus são mais educados do que os nossos, como escrevi recentemente em outro post, quando em Budapest? Ou será que o hábito de freqüentar bons lugares torna os peludos naturalmente mais sutis e refinados.

Creio serem as duas coisas. Lá, eles são tratados como gente, e como tal se comportam. Ao receberem uma educação rígida, embora sempre carinhosa, e ainda terem a oportunidade de interagir com mais e mais pessoas, de duas ou quatro patas, esses amiguinhos vão-se polindo, até que não estranham um ambiente silencioso ou a presença de seus parceiros deitados sob as mesas a apreciar o movimento.

Podemos levar esse aprendizado para nós, animaizinhos quase pelados de duas patas. O quanto mais nos educamos, polimos, estudamos, mais nos sentimos à vontade em ambientes refinados. E o quanto mais nos expomos a esses ambientes, mais educados e polidos ficamos.

É um círculo virtuoso de autoaprimoramento constante. Claro que isso é muito mais fácil quando começa na infância. Sob a responsabilidade dos pais, as crianças podem crescer educadas ou não, conscientes do mundo à sua volta ou alheios em suas ideias confusas sem chegar a lugar algum. Mas mesmo depois de adultos, embora mais difícil, essa tarefa é possível, e começa pela simples vontade de melhorar.

Portanto, sigamos o exemplo dos cães europeus e aprendamos a sermos sutis em todas as circunstâncias. Até porque estamos longe de levar nossos cães a ambientes fechados, aos quais muitas vezes não queremos levar nem nossos abusados amigos da mesma espécie…

2 de outubro de 2011

Mais uma gafe nas nuvens, desta vez de “premiados chefs”

Há mais de uma década sempre ouvimos reclamações de amigos sobre o tratamento dado pelas companhias aéreas àqueles que, por necessidade ou opção, solicitam alimentação especial durante o voo.

Meu primeiro contato sobre esse tema polêmico foi no início dos anos 2000, no capítulo Alimentação Vegetariana: chega de abobrinha! do livro Boas Maneiras, onde o Educador DeRose resumia as tragicômicas roubadas em que já se metera por solicitar alimentação "especial", nos milhares de voos feitos em 50 anos de carreira, a ministrar cursos e lançar livros mundo afora.

Esse texto tinha apenas oito páginas, mas com o passar do tempo acabou crescendo e se tornando um livro próprio, com o mesmo título. Foi-se ampliando conforme também parecia aumentar a cegueira dos responsáveis pela área nutricional das companhias, perante as mudanças sociais que se lhes passava diante dos olhos.

Respeito na Europa, ignorância no Brasil

Houve muitos os avanços na discussão sobre vegetarianismo, a partir de uma maior conscientização ecológica, dos diversos problemas globais causados pelo bicho-homem, com o significativo aumento da quantidade de pessoas que deixam de comer qualquer tipo de carnes.

Na Europa, quase todos os cardápios já têm uma seção especial sem carnes, e podemos nos denominar vegetarianos sem culpa ou risco de sermos olhados com estranhesa e de recebermos apenas uma salada de alface. Mas no Brasil, isso ainda continua um grande problema. Jamais se diga vegetariano, é como se dizer portador de uma doença contagiosa, a pessoa torce o nariz e dá um passo atrás…

Mas apesar de toda a evolução gastronômica internacional, as empresas aéreas, principalmente as brasileiras, continuam a cometer gafes imperdoáveis, desrespeitos descarados ao consumidor, não obstante inúmeras reclamações já registradas em seus sistemas de atendimento ao cliente.

Bem feito, seu teimoso

Por orientação do meu amigo DeRose em seus livros, sempre costumei fazer minha refeição completa antes do embarque, nos trechos longos ou internacionais, para não depender da sorte ou do humor de um nutricionista “estudado”. Mesmo assim, teimoso como bom gaúcho, certa vez resolvi pedir à TAM a tal alimentação VLML (lacto-ovo-vegetariana, ou vice-versa).

Como a própria denominação já explica, nesse sistema alimentar incluem-se todos os tipos de vegetais (verduras, frutas, folhas, raízes, grãos, leguminosas e incontáveis temperos), além de ovos, leite e derivados. Pensei cá comigo: as coisas já devem ter mudado, não creio que as empresas ainda sirvam só arroz e alface para quem se proclama vegetariano.

Ledo engano. Senti na pele - aliás, no estômago – a realidade desse problema. Como prato principal, enquanto meus colegas de viagem degustavam uma lasanha aos quatro queijos, fui contemplado com um arroz, um ambúrguer de soja e um pouco da maldita salada, nem sei de quê.

A soja não me cai nada bem, para mim é pesada e indigesta, mas como estava com fome, tudo bem, afinal, tinha horas de voo pela frente e a comissária informou-me não haver mais disponibilidade da lasanha aparentemente tão saborosa (comida de avião, vai saber…).

Mousse de chocolate é feito de carne?

Mas o pior ainda estava por vir: como sobremesa, todos receberam uma mousse de chocolate e eu, por ser vegetariano, ganhei uma salada de frutas! Aliás, só de melões! O sangue subiu-me, minha vontade era de bradar aos quarto ventos aquela ignorante injustiça gastronômica. Reclamei com a pobre aeromoça, mas logo percebi que não adiantava, afinal, a escolha do cardápio não é sua tarefa.

Tentando recuperar um pouco do prejuízo, expliquei a situação e pedi se não havia sobrado uma sobremesa daquelas. Ela concordou com o raciocínio de que mousse e chocolate não são carne (óbvio?), e pude abrandar minha indignação com um pouco de açúcar e cacau.

Ah, mas isso é só na classe econômica…

Em outra situação, dessa vez voando em classe executiva mas também pela TAM, novamente arrisquei pedir refeição diferenciada. Na econômica há apenas uma ou duas opções, mas com o preço das passagens de executiva e primeira, eles têm até menu!

Dei sorte, no cardápio havia uma pasta recheada de queijo e nozes ao molho de tomate com legumes, eu nem abri a boca para dizer que tinha pedido comida diferente, claro, e também ninguém perguntou. Ufa, até que comi bem.

Aliás, isso já havia ocorrido em outra viagem de econômica (sempre a TAM). Um dos pratos do dia era VLML, com certeza sem querer, e fiquei bem quietinho… Mas na ocasião do bife de soja não teve jeito, nossos nomes foram anunciados no microfone, para que todos soubessem que estávamos recebendo nosso prêmio por pedir algo diferente.

Pelo menos consegui a sobremesa…

Tadinhas das comissárias

Nessa última vez, o caso já foi um pouco mais complicado. Escrevo com a história ainda fresca, pois acabo de jantar, dessa vez voando de executiva (adivinhe a companhia?). Com o razoável sucesso das experiências anteriores, arrisquei de novo, e mais uma vez o cardápio previa uma boa opção: ravioli recheado de mozzarella com molho de tomate e aspargos. Parece delicioso no ar, não?

Experimentei não avisar nada, mas quando chegou nossa fileira, a moça mencionou o registro da opção. Eu disse que preferiria a pasta, porém não havia mais o ravioli, só as outras duas opções: salmão e frango (engraçado, mesmo com todos os outros passageiros tendo pedido refeição “normal”, o prato naturalmente ovo-lacto foi o primeiro a acabar). Então, qual era a opção VLML dessa vez? Arroz amarelo com pimentão e ervilhas. É sério!

Foi difícil segurar o bom humor. Perguntei se o ravioli por acaso não era também VLML (lembrando: massa, mozzarella, aspargos…), e insisti que era essa nossa opção do cardápio, afinal pagamos muito mais justamente para ter o direito de escolha. Outra colega chegou em reforço e ofereceu-se a buscar o prato para avaliarmos. Credo! Que horror! Um arroz amarelo de não-sei-o-quê, com jeito de requentado há três dias, uns pedaços de pimentões em cima e três vagens anãs de ervilhas enfeitando tudo!

Ficou constrangedor mas até engraçado, as comissárias nem tiveram coragem de insistir, elas também tomaram um susto. Uma rapidamente falou que iria tentar outra alternativa. Depois voltou dizendo que havia certa pasta, também de queijo, com molho branco (não sei de onde surgiu isso em pleno ar, talvez fosse a refeição do piloto…).

Enfim, sem alternativas, aceitei a troca. Depois, claro, pedi desculpas para a funcionária pela breve irritação, que compreendeu perfeitamente e merece todos os elogios pela forma como contornou aquela “coisa” que a empresa oferecia para um cliente executivo como sendo “especial”.

Menu business assinado por chefs premiados

Mas essa história não acaba aqui. É preciso mencionar o nome dos autores dessa obra-prima da “baixa-cozinha”, cujas fotos sorridentes ainda enfeitavam o cardápio, que era orgulhosamente aberto assim: “Menu business class Sabores do Mediterrâneo, pelos premiados chefs Sergio e Javier Torres”.

Não tem jeito, não conseguirei explicar melhor do que a própria TAM: “E você poderá degustar muita criatividade neste menu desenvolvido para a TAM com a consultoria exclusiva de dois chefs premiadíssimos: Sergio e Javier Torres. Saboreie e observe: são aromas exclusivos, texturas sofisticadas e gostos inesquecíveis, sempre com personalidade e leveza. Perfeitos para um voo. Perfeitos para você. Bom apetite!” Arroz com ervilha?

Desculpem-me a extensão do assunto, mas tenho de continuar: “Sergio e Javier Torres, chefs dos restaurantes “Dos cielos”, na Espanha, e “Eñe”, no Brasil, já trabalharam em restaurantes de vários países que, somados, chegam a 24 estrelas Michelin.” Vou parar por aqui, mas o texto segue ainda nessa linha…

Pelamordedeus! Isso lá é prato que dois ditos renomados chefs apresentem como sendo ovo-lacto-vegetariano? Arroz com pimentão? Horrível, tenebroso, guardado e apresentado feito marmita em pleno voo! Acredito que eles nem soubessem disso, mas deviam prestar mais atenção no que estão assinando. Já a TAM precisa urgentemente de uma consultoria realmente especializada, não de nutricionistas acadêmicos, mas de um bom apreciador da culinária apenas sem carnes, mas com cor, sabor, aroma, requinte e estética.

Mas não é só falar com o Presidente da TAM?

O problema é que quando tentamos reclamar ou explicar sobre isso, jamais conseguimos falar com as pessoas que realmente decidem, somos atendidos sempre por um telefonista (quando do pedido prévio) ou pela comissária (já na hora do problema, a 10mil pés), as quais, com toda boa vontade possível, explicam: “sinto muito, senhor..."

Será que um dia conseguiremos vencer essa barreira de ignorância? Será que teremos o direito de saborear um prato agradável em um longo voo, sem ter de comer grama com melões e pimentões ou esconder nossa opção de saúde?

Será que essa mensagem conseguirá chegar a alguém que realmente tenha poder para mudar essa gafe gastronômica que acontece a nas alturas, coisa que nem em terra firme já não ocorre mais?

As companhias continuam atrasando seus voos, mas estão ainda mais atrasadas no quesito alimentação. Está na hora de alguém que mande dizer: “deixa comigo”.

Axioma número zero

Como diz meu amigo Joris Marengo, no fim, o Mestre tinha mesmo razão. Aprendi a lição, não pretendo mais pedir refeição diferenciada.

Mas também não desistirei de tentar mudar essa grande injustiça! E enquanto isso, só nos resta comer bastante antes do embarque...