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25 de janeiro de 2013

“Eu acho que eles comeram todos os fundos. Você vê uma escola aqui?"

“ 'Eu acho que eles comeram todos os fundos. Você vê uma escola aqui?'
Esta foi a resposta de um homem de Likoni, uma área muito pobre nos subúrbios de Mombasa, no Quénia, quando lhe perguntaram o que tinha acontecido com mais de US$55,000 que o governo local deveria ter usado para construir a Escola Secundária de Mrima. O homem, nos seus 30 anos, ficava ao lado de um buraco com os seus vizinhos à volta; declaradamente o buraco era onde o Comité de Desenvolvimento do Distrito Eleitoral tinha começado a cavar as fundações para a escola, para depois abandonar o projecto sem explicações. 

De acordo com o representante do bairro, o projecto de toda forma não era o certo. “Ninguém veio à comunidade para perguntar se queríamos uma escola aqui. O que precisamos é um dispensário,” ele disse, enquanto os outros balançavam a cabeça murmurando seu assentimento.

Não tem que ser assim. Os orçamentos governamentais são importantes para todos, e os cidadãos querem saber, e têm o direito de saber, o que têm no orçamento do seu pais. E deveriam existir mecanismos para participação pública e prestação de contas para manter os orçamentos no caminho certo." (Open Budget Survey 2012)

Este é um trecho do resultado de uma pesquisa chamada Open Budget Survey (OBS), que mede, a cada dois anos, a transparência, a participação e a fiscalização orçamentária de países em todo o mundo.
A corrupção é algo tão historicamente arraigado na cultura brasileira, desde os tempos de colônia, que já virou bordão: "não adianta, todos os políticos são corruptos mesmo..."

Mas quem elege os políticos? O povo. Os eleitos são representantes do povo, então pela lógica pode-se pensar que todos os cidadãos são corruptos, porque escolheram dentre seus pares quem os representaria no governo, no congresso, assempleias estaduais, câmaras de vereadores. Você acha mesmo que todo brasileiro é corrupto? Você se o considera?


Vamos adequar essa frase aos novos tempos: "ainda existem muitos políticos corruptos, mas as coisas estão mudando". E não falo de esperança, e sim de dados concretos: nunca se viu nesse país um julgamento como o do mensalão, com políticos famosos sendo condenados a décadas de prisão. Sim, estão mudando, acredite! Mas se não quiser acreditar, pelo menos pesquise, para formar sua própria opinião, em vez de simplesmente repetir aquilo que se ouve dos outros, sem nenhuma propriedade.

Por exemplo, você sabia que o Brasil é o 12º país mais transparente, dentre 100 avaliados pela International Budget Partnership (IBP), à frente de nações como Chile, Alemanha e Espanha? Isso também está na pesquisa Open Budget Survey, mas quantos cidadãos brasileiros sabem dessa informação?

Nem tudo são flores, em contrapartida, embora venha havendo uma evolução anual, ainda estamos mal colocados em outra lista, essa bem desagradável: em 2012 ficamos em 69º de 176 países pesquisados, no ranking global de percepção da corrupção no setor público, publicado anualmente pela ONG Transparência Internacional (TI). O ranking é liderado pela Dinamarca, que tem a menor percepção de corrupção do mundo, seguida de Finlândia e Suécia. A Somália é o país com a mais alta percepção de corrupção, segundo a TI.

É fato, "a transparência e a participação pública podem ajudar a identificar desvios de dinheiro e a melhorar a eficácia das despesas públicas" (OBS). O relatório da IBP também avaliou a força das instituições de auditoria. Nesse quesito, o Brasil recebeu nota máxima (100). Mais um dado real de que nosso país está mudando.

Para encerrar, outra história triste, mas que teve final feliz: "na Índia, a Campanha Nacional para os Direitos Humanos dos Dalit (NCDHR) expôs a forma como o governo desviou fundos para programas para as comunidades Dalit, um dos grupos mais pobres e mais marginalizados na Índia, para financiar os Jogos da Commonwealth de 2010. Recorrendo a relatórios de investigação baseados no acompanhamento e na análise orçamentais, a NCDHR lançou uma campanha de defesa para recuperar o dinheiro, o que resultou numa cobertura mediática disseminada a nível nacional e internacional. Sob esta pressão, o Ministro do Interior da Índia acabou por admitir publicamente que 130 milhões de dólares de fundos públicos para Dalits haviam sido incorrectamente desviados, comprometendo-se a devolver o dinheiro. Até agora, o governo devolveu quase 100 milhões de dólares, que estão agora a apoiar serviços e programas para cerca de 2,4 milhões de Dalits." (OBS)

E no Brasil? O que você está fazendo para cobrar honestidade e resultados de seus representados? 
Porque só reclamar não muda nada, e dinheiro público é da nossa conta.
Esclareça-se! 
 



17 de janeiro de 2013

Fettuccine alla romana

[Post publicado em 22/4/2011]

Depois de muito tempo sem marcar presença na cozinha, hoje brinquei de chef e coloquei em prática aquele que creio ser um dos mais fáceis - e sem dúvida o mais saboroso - dos pratos à base de molhos vermelhos: o fettuccine alla romana.

É simplesmente delicioso!
Esse prato é uma combinação de sabores intensos e marcantes, e recomendo seja apreciado com um excelente suco de uva integral, uma água com gás de primeira, ou quem sabe ambos juntos, meio a meio, bem gelados... mas isso já é papo para outro post.

Vamos à receita mágica (como diz meu amigo Jojó, para o meeeu paladar...). E se você deseja impressionar convidados, prepare seu ego para os elogios...

Para 4 pessoas, um pacote de 500g é suficiente. Mas escolha um fettuccine preferencialmente fresco, ou de excelente qualidade, daqueles mais largos, muuuito largos.

Descasque uma cabeça de alho - ou mais, se você for um apreciador desta iguaria - e corte cada dente em fatias bem fininhas. Ponha o alho para fritar com azeite de oliva, depois que começar a dourar, acrescente cogumelos frescos fatiados, alcaparras e azeitonas pretas inteiras sem caroço.

Deixe fritar mais um pouco e depois acresça 6 a 8 tomates inteiros pelados, daqueles que já vem em latas, para facilitar o trabalho, claro. Afinal, estamos aqui para nos divertir!

Aos poucos, o tomate vai-se desmanchando, mas não queremos que se desfaça por completo, pois os pedaços darão um toque especial ao prato na hora de servir.

Acrescente sal a gosto e tempere com noz moscada em pó, ervas de provence e outras especiarias, sem moderação. A partir daqui, a obra de arte em concepção passa a ser do próprio autor eventual, que é assim co-criador da receita. Esta, por sua vez, passa a ser dinâmica, mutante, pois se aprimora a cada preparo, em cada lar.

Voltando ao sabor da nossa pasta, nesse ponto do cozimento, o tomate soltará bastante líquido, portanto não é necessário acrescentar água, basta deixar fervendo alguns minutos em fogo baixo, com a frigideira tampada ou semi-aberta.

Enquanto isso, a água do fettuccine já está a ferver, podendo ser acrescentado um fio de azeite e um caldo de legumes. Aponha a massa no instante da ebulição e deixe cozer pelo tempo marcado na embalagem. Mas aplique aqui o axioma número 1 do Método DeRose, não acredite: acompanhe a alquimia do cereal na água fervente e desligue o fogo quando estiver al dente, já tendo preparado o escorredor. Este é um momento precioso, pois se a retirada da água não se der rapidamente, nos arriscamos a estragar o ponto da massa e tudo vira uma gororoba.

Pronto, acrescente o molho sobre a macarronada e mais um pouco de azeite, se lhe aprouver.
Para fechar, um queijo grana ralado na hora será o catalisador dessa delícia a embriagar seu paladar e de seus amigos.

E nessa boa mesa, regada ainda a pimenta e depois um café gourmet, o prazer da companhia faz de uma noite de outono aquela experiência sensorial inesquecível.

Buon appetito!

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Vida social digital: um grande paradoxo

Puxa, faz tanto tempo que não apareço por aqui... mais de seis meses!
Parece que estou visitando uma casa antiga, na qual já não mais resido.

Há poucos anos, os blogs surgiram como a grande febre, a novidade que substituiria colunas, sites e até jornais, aquilo que poderia fazer de qualquer pessoa um escritor de sucesso em semanas, e todos teriam seus 15 minutos de fama. Mas a conectividade é tão infinitamente ágil nos nossos dias, que essa onda passou e já temos outra que, de certa forma, está absorvendo os blogs: Facebook.

Nessa rede podemos não só escrever posts, tal qual nos blogs, mas também compartilhar instantaneamente, ler boas publicações, receber notas, avisos e mensagens, curtir, visitar os familiares, encontrar antigos amigos (não velhos...), trabalhar, estudar, viajar, mostrar as fotos da viagem... Ufa! É tanta coisa que nunca usaremos tudo! No blog, podemos escrever muito e bem, mas se o próprio autor não compartilhar no Face, o post provavelmente passará despercebido. Faça um teste se quiser.

Mas é preciso tomar cuidado com dados pessoais publicados. Revise periodicamente o módulo Sobre e confira se cada informação está marcada como Pública ou Exclusiva para amigos e familiares. Isso não apenas por questão de segurança, mas sim de imagem pessoal: muito cuidado com o que você curte, segue ou compartilha. Textos mal escritos, fontes duvidosas, informações falsas, boatos, propagandas. A quantidade de lixo na "nuvem" é diretamente proporcional à infinita criatividade humana.

Se você tiver de escolher entre dois candidatos para contratar, qual escolheria? Um que, mesmo apresentando bom currículo, aparece na sua página em baladas, bebendo e fumando, ou escreve coisas sem conteúdo? Ou outro cujo histórico pode não ser tão bom, mas pelo seu perfil pode-se ver que é organizado, tranquilo, bem família, que curte e compartilha coisas inteligentes? Você vai sair com a gatinha ou gatinho, resolve visitar seu perfil e vê que ele/ela curte Michel Teló. Vai encarar mesmo assim? Não há nenhum problema em curtir a música de vez em quando, dançar, brincar, divertir-se, mas precisa ir até lá curtir a página dele?

Enfim... mesmo com todos os prós e contras - como tudo na vida -, aproveite intensamente essa vida social digital, que aliás é um grande paradoxo: antes, tínhamos poucos amigos, mas os víamos com frequência e intensidade. Hoje, temos milhares, nos relacionamos a cada segundo, mas sem nenhum contato físico. 

Serão essas as relações humanas do futuro?
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5 de julho de 2012

Mentalize a coisa certa, do jeito certo...


Este artigo foi escrito para publicação no livro Mentalização - o poder de transformar a realidade, do Instrutor Carlo Mea, Diretor da Unidade Parioli (Roma - Itália), Escola Credenciada do Método DeRose.

O livro está em fase final de revisão para publicação em breve, e a publicação antecipada deste trecho é também uma homenagem ao meu amigo Carlo, grande guerreiro do SwáSthya!!

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"Professor Rodrigo De Bona é Vice-Presidente da Federação do Método DeRose de Santa Catarina (Brasil), autor de três livros de sucesso e director da Unidade Kobrasol, no mesmo Estado.
Um dia, depois de um período prolongado de obras na sua Unidade, viu-se em dificuldades económicas. Durante um círculo de mentalização (sat chakra) muito poderoso, feito exclusivamente entre os instrutores na sede da sua Federação, mentalizou muito dinheiro se lhe chegando. Imaginou que notas de 100 Reais lhe choviam em cima, muitas e muitas notas a voar em torno de si.
Terminada a prática de mentalização, saiu com os instrutores para jantar em um restaurante próximo. Estacionou seu carro do outro lado da rua e, ao atravessar, viu uma carteira no meio da via, e não era uma marca qualquer, era uma Montblanc! Abriu a carteira e estava cheia de notas de 100 Reais, além de muitos cartões de crédito!
Obviamente, com base no tão especial código de ética da nossa proposta cultural, Professor Rodrigo decidiu imediatamente devolver a carteira ao dono. Abriu-a e achou um documento de mergulhador com foto. Foi-se então à procura do dono: entrou em um café que estava em frente, buscando dentre os clientes sorridentes aquele rosto estático de uma foto 3x4, mas não o encontrou. Chamou um garçom para pedir ajuda, o qual, não tendo também localizado a pessoa dentre os comensais, saiu com ele do estabelecimento para despedirem-se.
Nesse instante, eis que o garçom, ao olhar para o meio da rua, vislumbrou uma nota de 100 Reais a esvoaçar rente ao chão. Depois outra e mais outra ainda. Eram várias, espalhadas pela rua a revoar com o vento em um redemoinho monetário tentador! Foram ao encontro delas para recolhê-las, o garçom pegou uma nas mãos com todo cuidado, pois aquilo era para ele talvez o equivalente a uma semana inteira de trabalho. Mas, rigoroso com seus princípios, Rodrigo lhe pediu de volta a nota e colocou-a na carteira, dizendo que iria devolver todas, juntamente com os documentos, tal qual encontrou.
Na carteira havia alguns cartões de visitas do proprietário, que era dono de uma empresa de táxi aéreo, lojas de automóveis etc. Assim, telefonou na mesma hora para o dono do achado, que estava em casa e, estupefato, informou ainda nem sequer ter-se dado conta de que havia perdido seus pertences. Ele passara de moto naquela rua minutos antes e a carteira caíra do bolso de sua jaqueta, espalhando o dinheiro pela rua ao longo de dezenas de metros. Imediatamente combinaram de se encontrar no caminho para casa e, menos de 10 minutos depois, o empresário já estava com todos os seus cartões intactos, sua bela carteira Montblanc e cada uma de suas notas de 100 Reais devidamente organizada.
Naquele momento, Rodrigo titubeou, disse que se arrependera de não ter deixado pelo menos uma das notas com o garçom, pois ela não faria nenhuma falta ao rico homem de negócios, mesmo assim, no momento de decisão, fez a escolha que achava mais justa. O homem ainda tentou oferecer-lhe todo o dinheiro achado, pois o que lhe interessava eram os cartões e também a rara carteira negra. Obviamente a oferta não foi aceita, pois não parecia justa. Trocaram seus cartões de contatos e foram-se para casa: um, feliz por ter achado aquilo que nem o sabia perdido, outro por ter feito aquilo que sua consciência considerava obviamente o correto: devolver ao dono o que lhe é de direito, já que todo aquele dinheiro não era seu.
Hoje em dia, a Unidade Kobrasol está reformada, ainda maior, mais bonita e tem uma óptima estabilidade económica. Rodrigo fez questão de comprar sua prórpia carteira Montblanc, como forma de lembrar-se da justa busca pelo sucesso vista naquele empresário desatento, mas também da ética que deve sempre permear nossa vida.
Mas o mais importante que esta história nos ensina é que não basta mentalizar o que se quer, é preciso fazê-lo com absoluta riqueza de detalhes, em todas as suas nuances. Não adianta apenas imaginar que apareçam notas de 100 a lhe chover em cima, é preciso mentalizar que todas elas sejam realmente suas! Mentalize você recebendo-as em mãos, veja-se segurando e guardando-as com a consciência tranquila de que você fez tudo o que devia e merece ter aquele dinheiro.
É exatamente o que nos ensina nosso Mestre DeRose desde a década de 1960 (Prontuário de Yôga Antigo, edição histórica só para colecionadores):
“Jamais imaginar o que não se deseja ver realizado. O pensamento negativo é mais poderoso do que o positivo, porque o ser humano está educado e condicionado no sentido de utilizá-lo mais. “
“Visualizar somente o que se quer ver realizado e fazê-lo com nitidez e objetividade quase concreta, nos seus mínimos detalhes e minúcias, durante o máximo possível de horas ao dia e todos os dias, ininterrupta, incansável e entusiasticamente, até obter sua cristalização no plano da matéria física.”
“Mentalizar é criar no plano mental o que queremos ver precipitado no nosso mundo individual.”
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13 de fevereiro de 2012

3º Concurso de Curtas: Direito à Informação


Pra galera criativa, uma boa oportunidade!

(Curtas da CGU)

Tema: Informação Pública: direito de todos. Sem desculpas, sem segredos.


Assunto fundamental, num momento em que temos no Brasil a edição de uma lei que obriga a ampla divulgação de informações a qualquer cidadão, em curtíssimo prazo. 

E isso é um marco histórico comparável à abertura da democracia ocorrida em meados dos anos 1980!

Afinal, é hora de começarmos a agir em prol de um Brasil melhor!

Ajude a divulgar o concurso, repassando este e-mail aos produtores independentes, publicitários ou amantes da sétima arte.
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Você está insatisfeito?


Extraído do livro Método de boas maneiras, do Comendador DeRose.

Meio século de vida me ensinou a aceitar um defeito do ser humano como algo incurável: sua insatisfação.

Dei a volta ao mundo inúmeras vezes e conheci muita, mas muita gente mesmo. Travei contato íntimo com uma infinidade de fraternidades iniciáticas, entidades culturais, associações profissionais, academias desportivas, universidades, escolas, empresas, federações, fundações... Em todas elas, sem exceção, havia descontentamento.

Em todos os agrupamentos humanos há uma força de coesão chamada egrégora. Pela lei de ação e reação, toda força tende a gerar uma força oponente. Por isso, nesses mesmos agrupamentos surgem constantemente pequenos desencontros que passam a ganhar contornos dramáticos pela refração de uma ótica egocêntrica que só leva em conta a satisfação das expectativas de um indivíduo isolado que analisa os fatos de acordo com suas próprias conveniências.

Noutras palavras, se os fatos pudessem ser analisados sem a interferência deletéria dos egos, constatar-se-ia que nada há de errado com esses fatos, a não ser uma instabilidade emocional. Instabilidade essa que é congênita em todos os seres humanos. Uma espécie de erro de projeto original, que ainda está em processo de evolução. Afinal, somos uma espécie extremamente jovem em comparação com as demais formas de vida no planeta. Estamos na infância da nossa evolução e, como tal, cometemos inapelavelmente as imaturidades naturais dessa fase.

Observe que raríssimas são as pessoas que estão satisfeitas com seus mundos. Em geral, todos têm reclamações do seu trabalho, dos seus subalternos e dos seus superiores; da sua remuneração e do reconhecimento pelo seu trabalho; reclamações dos seus pais, dos seus filhos, dos seus cônjuges, do seu condomínio, do governo do seu País, do seu Estado, da sua cidade, da polícia, da Justiça, do departamento de trânsito, dos impostos, dos vizinhos mal-educados, dos motoristas inábeis, dos pedestres indisciplinados... Quanta coisa para reclamar, não é?

Se formos por esse caminho, concluiremos que o mundo não é um lugar bom para se viver e seguiremos amargurados e amargurando os outros. Ou nos suicidaremos!

Já na antiguidade os hindus observaram esse fenômeno da endêmica insatisfação humana e ensinaram como solucioná-la:

"Se o chão tem espinhos, não queira cobrir o chão com couro. Cubra os seus pés com calçados e caminhe sobre os espinhos sem se incomodar com eles."

Ou seja, a solução não é reclamar das pessoas e das circunstâncias para tentar mudá-las e sim educar-se a si mesmo para adaptar-se. A atitude correta é parar de querer infantilmente que as coisas se modifiquem para satisfazer ao seu ego, mas sim modificar-se a si mesmo para ajustar-se à realidade. Isso é maturidade.
A outra atitude é neurótica, pois jamais você poderá modificar pessoas ou instituições para que se ajustem aos seus desejos. Não seja um desajustado.

Então, vamos parar com isso. Vamos aceitar as pessoas e as coisas como elas são. E vamos tratar de gostar delas. Você vai notar que elas passam a gostar muito mais de você e que as situações que antes lhe pareciam inamovíveis, agora se modificam espontaneamente, sem que você tenha que cobrar isso delas.

Experimente. Você vai gostar do resultado!
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28 de janeiro de 2012

Não reclame. Mude!

Há um comportamento que parece inato do ser humano: a atitude de reclamar.
Se você não gosta do seu emprego, mude o jeito de trabalhar, mude aquilo que você não gosta, interfira no mundo ao seu redor.
Mude o emprego, ou então mude de emprego. Mas não fique na mesma, e reclamando das coisas.
O hábito de reclamar afeta diretamente o emocional do reclamão, mas caso se torne crônico, pode até ser somatizado em uma doença.
Não tem coisa mais neurótica do que um marido ou esposa reclamando do seu cônjuge o tempo todo para os amigos ou amigas!
O casamento não está mais dando certo? Que tal fazer uma DR num restaurante bem legal, ou tentar recuperar o carinho perdido com uma nova lua-de-mel bem romântica em Buenos Aires?
Mude o seu casamento!! Ou então mude de casamento!!!
Reclamar não muda nada, e ainda estressa todo mundo à sua volta e faz um mal danado para você.

17 de janeiro de 2012

Não é otimismo, são números: as coisas estão melhorando!

O apoio da sociedade à recente "faxina" na Esplanada dos Ministérios colocou o tema da ética no topo dos interesses da população.

Porém, "a corrupção no Poder Judiciário é pior do que no Legislativo e no Executivo", avalia Júlio Pompeu, professor de ética e teoria do Estado no Departamento de Direito na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Segundo ele, a corrupção no Legislativo e no Executivo é sazonal, pois o corrupto corre o risco de não se reeleger ou ser cassado. "No Judiciário, a corrupção é vitalícia. Arrancá-la de lá requer um esforço tremendo."

De acordo com a cientista política Argelina Cheibub Figueiredo, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp-Uerj), "o Judiciário, pelo tipo de carreira que oferece, abrange a elite social, econômica e cultural. E toda elite gosta de ser pouco controlada".

O advogado Alexandre Trancho, presidente da Comissão de Organização do Movimento Ética na Política, da Ordem dos Advogados do Brasil, vê um aspecto positivo na crise do Judiciário e nos escândalos de corrupção e desvios éticos que marcaram o primeiro ano da gestão da presidente Dilma Rousseff. "A percepção geral é de que as coisas estão melhorando no campo da ética".

"De fato está melhorando e vejo tudo numa perspectiva relativamente otimista", analisa Lourdes Sola, pesquisadora do Núcleo de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP). Para ela, está se criando uma intolerância generalizada à corrupção e aos desvios éticos. É necessário agora, segundo a pesquisadora, dar o salto qualitativo, converter a intolerância em ações transformadoras, ou seja: quem não paga imposto vai preso, quem é corrupto vai preso, quem corrompe vai preso. Há, para Lourdes, um hiato entre a intolerância e a ação transformadora. "Esse hiato é a impunidade".

Segundo o filósofo Mário Sérgio Cortella, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), não está ocorrendo um aumento da corrupção, mas o aumento da denúncia e da rejeição pela sociedade. "Não é o incremento da sujeira. É o começo da limpeza."

Até 2007, o país recuperava apenas 1% do dinheiro desviado por corruptos. Hoje, são 15%. Em 2016, a Advocacia Geral da União pretende recuperar 25% do dinheiro desviado. "Cinco anos atrás não se recuperava nada. A situação, de fato, está melhorando", diz Thiry-Cherques, da FGV.

Reforma política, prisão dos corruptos e dos corruptores, reforma do Judiciário, mobilização social, aumento da recuperação de dinheiro desviado, estabelecimento de metas mensuráveis de gestão, financiamento público de campanhas, ética na política e na gestão do patrimônio público, imprensa livre, todos iguais perante a lei. É grande a lista de requisitos a observar até se chegar a um clima ético superior no país. Os paradigmas de comportamento, segundo Roberto Romano, "só se modificam pela própria dinâmica social e econômica.

Como diz Platão sobre as leis, a criança cresce e o sapato fica pequeno. Com a expansão da sociedade, a ética vai ficando pequena e começa a ser exigida uma evolução".

Fonte: SECOM/PR

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15 de janeiro de 2012

Ação efetiva: ligue ou escreva cobrando do político que você elegeu

O transporte público no Brasil é um caos, a saúde pública é temerária. Pagamos altos preços por pedágios, como se já não pagássemos IPVA e Licenciamento, gastamos com grades, janelas, cadeados, câmeras, e nos sentimos inseguros como se vivêssemos constantemente sob a ameaça de uma gerra civil.

Se entrevistarmos qualquer brasileiro, ficará clara a insatisfação, a indignação com a péssima qualidade dos serviços públicos que recebemos, apesar de pagarmos uma das mais altas cargas tributárias do mundo. Sentimo-nos simplesmente desprotegidos pelo Estado, abandonados, como o cidadão fosse a última das prioridades.

Enquanto isso tudo acontece diariamente nas ruas do país, nossos políticos e gestores públicos aproveitam-se do cargo para se locupletarem, enchendo suas contas bancárias durante o curto período de poder que usufruem. Isso também é motivo de indignação unânime na nossa população. Ninguém aguenta mais tantos escândalos!

Agora façamos uma reflexão: qual o link, o elo de ligação entre essas duas situações por que tem passado a sociedade brasileira? É uma só, bem simples, curta e eficiente: o VOTO.

No sistema democrático, o voto é a ferramenta que cada cidadão tem para escolher aqueles dentre seus pares que irão representá-lo nas esferas políticas que administram a nação. Ou seja, um voto é como uma procuração, uma carta branca com a qual autorizamos alguém para escolher por nós como as coisas vão funcionar, nas áreas de saúde, na educação, no trânsito, na segurança pública.

Bem, voltemos ao link. Fica muito claro na atual política brasileira que, se por um lado o eleitor está indignado com seus políticos, e com o sufoco que passa em sua vida diária, por outro lado esse mesmo eleitor provavelmente não se lembra em quem votou na última eleição, pra vereador e deputados, nem pensar. Talvez até lembre do seu voto pra prefeito, governador ou presidente.

Se nem sequer lembramos de quem escolhemos para nos representar, com que moral podemos reclamar quando eles não deixam as coisas funcionando como achamos que deveriam funcionar? E não venha dizer que os corruptos estão só em Brasília. Eles estão na sua cidade, no seu bairro, na sua rua!

Escolhemos getores incompetentes, corruptos ou inertes, sem pesquisar a vida profissional, o conhecimento técnico, a honestidade e o caráter do cidadão que elegeremos. Depois reclamamos que as coisas não funcionam como gostaríamos.

Óbvio! Seria um desajuste pensar que poderia ser diferente!! Isso quando não escolhemos nossos candidatos por interesses personais, escusos ou desvirtuados.

Mas, além do voto, há ainda um outro link entre a má qualidade do serviço público e a má qualidade da gestão pública: o Controle Social. Esse termo aparentemente burocrático significa, em outras palavras, ficar de olho no que seus eleitos fazem. Não adianta apenas escolher um bom representante, é preciso acompanhá-lo, cobrar o alinhamento com aquilo que ele prometeu durante a campanha, e que convenceu você a escolhê-lo.

Ou seja, o Brasil só começará a evoluir quando tivermos muito mais consciência no voto, e ainda mais consciência do que acontece depois com quem votamos. Não estamos falando de crescer, e sim de evoluir. O país está crescendo, mas continua imaturo. Precisamos cobrar, reclamar, questionar, mas das pessoas certas: dos eleitos.

Se cada cidadão passasse a cobrar tudo o que vê de errado de seu político mais próximo (normalmente vereador e prefeito), isso já mudaria tudo!

Você sabe qual o e-mail do seu candidado, qual o telefone do escritório na sua cidade, no estado, em Brasília? Já escreveu pra ELE reclamando de algo? Já cobrou ou deu uma bronca em uma mancada dele? Que tal experimentar?

Afinal, como disse um famoso ambientalista francês: pense globalmente, aja localmente. E como nos ensina o Comendador DeRose, é pela ação efetiva que alcançaremos o que tantos sonharam e não conseguiram – porque apenas sonharam, mas não agiram.

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5 de janeiro de 2012

Pão seco, lascas de frango e pepino: lo mejor de Argentina?

A cada viagem aprendemos tantas coisas novas, conhecemos pessoas e tomamos contato com culturas extraordinárias. Mas, no caminho, há sempre aquele sufoco quase inevitável da comida de avião.

Mesmo com incontáveis reclamações enviadas às companhias aéreas, parece que a essas só interessa economizar trocados servindo uma porcaria qualquer. Mas sempre pode ser pior: eles ainda se gabam do que servem e sempre tem um dito chef qualquer assinando essas baboseiras.

No post Mais uma gafe nas nuvens (2/10/2011), relatei o desastre que foi a comida de Primeira Classe da TAM, com um cardápio assinado pelos “premiados chefs Sergio e Javier Torres”. Apesar do registro da queixa, jamais recebi retorno da empresa.

Dessa vez, voltando da Patagônia pela Aerolineas Argentinas de Classe Executiva, chegaram ao ridículo de servir um pão com duas lascas grosseiras de frango e duas fatias semitransparentes de pepino. Isso mesmo, pão seco com frango e pepino! Ops, esqueci, tinha uma melequinha só no meio, ali lançada ou “esquecida” durante a produção. Para acompanhar, um saquinho de amendoins salgados, duas balinhas e um alfajor de 5a...

Tirei logo duas fotos como prova do engodo que nos serviram. E como se pode ver, havia uma mensagem quase poética na bela caixa azul que continha tal lixo atômico. Leia e tente não chorar... Rir pode, e muito!

“Pensé estas originales recetas para que disfrutes plenamente de tu viaje. Junto al gran equipo de Aerolineas Argentinas y productores de alimentos de excelencia las elaboramos diariamente utilizando lo mejor de nuestra tierra.” (grifos meus)


Meus grandes amigos argentinos, tadinhos, devem estar com muita vergonha de ler isso como "o melhor de suas terras”. Abaixo dessa piada consta a assinatura do autor-humorista, obviamente sem identificação (algo como “Martinan”) e na caixa a marca da vergonha: ClubEconomy.

Assim como na TAM, será que esse chef sabe o que está assinando? Ou será que todos creem mesmo estar arrasando em suas criações?

Just in case, acho que vou passar a fazer bhúta shuddhi e upasana sempre nos dias de voos...

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22 de novembro de 2011

Quem é mais feliz?

A busca da felicidade tem sido um tema recorrente nos dias atuais. Qualidade de vida, bem-estar, conforto, são conceitos que já caíram em descrédito, tamanha a banalização que se fez do seu uso.

Em qualquer meio de mídia vê-se o link do produto com tudo o que há de bom na existência. Vê-se o slogan “compre um apartamento em nosso condomínio e você terá qualidade de vida para sempre”, como se morando lá fôssemos deixar de ter todos os nossos desafios diários afetivos, financeiros, profissionais, filosóficos, urgentes ou crônicos.

E promete-se qualidade de vida em tudo: apartamentos, carros, liquidificadores, geladeiras, celulares (que nos escravizam!), internet, política, polícia, comida, bebida, álcool e outras drogas. Ficou tão corriqueiro que, na minha opinião (com a mão espalmada no peito como faz meu amigo Jojó), usar esses termos chega a queimar o filme da empresa que está tentando vendê-lo.

Pior ainda é a pretens[a opini]ão de comparar felicidade. A minha é melhor do que a sua. Meu trabalho é mais honesto, minha família mais amorosa, sou mais rico...

Como pode alguém, por morar em uma cidade grande, com acesso à internet, celular, carro e todas as mordomias da tecnologia moderna, bem acomodado em seu apertamento, como pode este individuo moderno crer ser mais feliz do que outro que vive no campo, que tem de labutar todos os dias na terra, com calos nas mãos e rachaduras nos pés, cuja pele já carrega as cicatrizes rasgadas pelo tempo e secas pelo sol.

Quem pode afirmar ser mais feliz: um homem que mora no mato ou na metrópole? A dona de casa do interior ou a advogada bem sucedida da capital? Um médico, físico, engenheiro ou professor? Impossível avaliar, pois tão subjetiva é a ponderação sobre os sentimentos da mente humana, que não se pode afirmar haver parâmetro, uma régua ou medida padrão para tamanha comparação.

http://olhares.uol.com.br/cidade_vs_campo_foto1794652.html


Cada pessoa é única, e como tal tem de buscar sua própria felicidade, sua fonte da juventude, aquilo que pode nos fazer tão completos e realizados a ponto de se nos deparamos com um sorriso à toa no meio da tarde, um ócio contemplativo na janela do 9o. Andar. Ou espreguiçar-se em uma reunião, dar-se o incrível luxo de ter – ou não ter – mais luxo, mais tempo, mais nada a fazer. Definitivamente, a maior felicidade está nos momentos mais fugazes e nas menores coisas.

Precisamos de muito autoconhecimento para gerenciar o delicado balanço entre trabalho, família, lazer, saúde, cuidado de si e outras egrégoras, e do resultado disso tudo surge a felicidade mais natural e duradoura, quando tudo entra em sintonia.

É quando a harmonia das esferas se faz ouvir na multidão, basta estar atento. Afinal, a felicidade é instantânea e não duradoura, pontual e não linear, tal qual a própria existência.

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6 de outubro de 2011

Autoaprimoramento canino

Imagine-se levando seu cãozinho consigo para todos os lugares, nos museus, praças, no cinema, inclusive nos elevadores, ônibus, metrôs e restaurantes!

Pois então, isso não é sonho, é realidade. Em países como a Áustria, Alemanha, Hungria e República Checa (que visitamos recentemente), nossos melhores amigos são aceitos em todos os lugares, sem olhares transversos, como se sempre tivessem freqüentado esses meios sociais.

Se causa transtornos? Jamais! É como se os cães soubessem que ali é um lugar de silêncio, de passeio, de aprendizado ou de conversa ao pé do ouvido. Vimos centenas de situações dessas, e em nenhuma delas ouvimos um único latido, nem mesmo quando havia vários animais no mesmo ambiente.

O que será que ocorre? Será que os cães europeus são mais educados do que os nossos, como escrevi recentemente em outro post, quando em Budapest? Ou será que o hábito de freqüentar bons lugares torna os peludos naturalmente mais sutis e refinados.

Creio serem as duas coisas. Lá, eles são tratados como gente, e como tal se comportam. Ao receberem uma educação rígida, embora sempre carinhosa, e ainda terem a oportunidade de interagir com mais e mais pessoas, de duas ou quatro patas, esses amiguinhos vão-se polindo, até que não estranham um ambiente silencioso ou a presença de seus parceiros deitados sob as mesas a apreciar o movimento.

Podemos levar esse aprendizado para nós, animaizinhos quase pelados de duas patas. O quanto mais nos educamos, polimos, estudamos, mais nos sentimos à vontade em ambientes refinados. E o quanto mais nos expomos a esses ambientes, mais educados e polidos ficamos.

É um círculo virtuoso de autoaprimoramento constante. Claro que isso é muito mais fácil quando começa na infância. Sob a responsabilidade dos pais, as crianças podem crescer educadas ou não, conscientes do mundo à sua volta ou alheios em suas ideias confusas sem chegar a lugar algum. Mas mesmo depois de adultos, embora mais difícil, essa tarefa é possível, e começa pela simples vontade de melhorar.

Portanto, sigamos o exemplo dos cães europeus e aprendamos a sermos sutis em todas as circunstâncias. Até porque estamos longe de levar nossos cães a ambientes fechados, aos quais muitas vezes não queremos levar nem nossos abusados amigos da mesma espécie…