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17 de janeiro de 2012

Mentalize a coisa certa, do jeito certo...


Este artigo foi escrito para publicação no livro Mentalização - o poder de transformar a realidade, do Instrutor Carlo Mea, Diretor da Unidade Parioli (Roma - Itália), Escola Credenciada do Método DeRose.

O livro está em fase final de revisão para publicação em breve, e a publicação antecipada deste trecho é também uma homenagem ao meu amigo Carlo, grande guerreiro do SwáSthya!!

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"Professor Rodrigo De Bona é Vice-Presidente da Federação do Método DeRose de Santa Catarina (Brasil), autor de três livros de sucesso e director da Unidade Kobrasol, no mesmo Estado.
Um dia, depois de um período prolongado de obras na sua Unidade, viu-se em dificuldades económicas. Durante um círculo de mentalização (sat chakra) muito poderoso, feito exclusivamente entre os instrutores na sede da sua Federação, mentalizou muito dinheiro se lhe chegando. Imaginou que notas de 100 Reais lhe choviam em cima, muitas e muitas notas a voar em torno de si.
Terminada a prática de mentalização, saiu com os instrutores para jantar em um restaurante próximo. Estacionou seu carro do outro lado da rua e, ao atravessar, viu uma carteira no meio da via, e não era uma marca qualquer, era uma Montblanc! Abriu a carteira e estava cheia de notas de 100 Reais, além de muitos cartões de crédito!
Obviamente, com base no tão especial código de ética da nossa proposta cultural, Professor Rodrigo decidiu imediatamente devolver a carteira ao dono. Abriu-a e achou um documento de mergulhador com foto. Foi-se então à procura do dono: entrou em um café que estava em frente, buscando dentre os clientes sorridentes aquele rosto estático de uma foto 3x4, mas não o encontrou. Chamou um garçom para pedir ajuda, o qual, não tendo também localizado a pessoa dentre os comensais, saiu com ele do estabelecimento para despedirem-se.
Nesse instante, eis que o garçom, ao olhar para o meio da rua, vislumbrou uma nota de 100 Reais a esvoaçar rente ao chão. Depois outra e mais outra ainda. Eram várias, espalhadas pela rua a revoar com o vento em um redemoinho monetário tentador! Foram ao encontro delas para recolhê-las, o garçom pegou uma nas mãos com todo cuidado, pois aquilo era para ele talvez o equivalente a uma semana inteira de trabalho. Mas, rigoroso com seus princípios, Rodrigo lhe pediu de volta a nota e colocou-a na carteira, dizendo que iria devolver todas, juntamente com os documentos, tal qual encontrou.
Na carteira havia alguns cartões de visitas do proprietário, que era dono de uma empresa de táxi aéreo, lojas de automóveis etc. Assim, telefonou na mesma hora para o dono do achado, que estava em casa e, estupefato, informou ainda nem sequer ter-se dado conta de que havia perdido seus pertences. Ele passara de moto naquela rua minutos antes e a carteira caíra do bolso de sua jaqueta, espalhando o dinheiro pela rua ao longo de dezenas de metros. Imediatamente combinaram de se encontrar no caminho para casa e, menos de 10 minutos depois, o empresário já estava com todos os seus cartões intactos, sua bela carteira Montblanc e cada uma de suas notas de 100 Reais devidamente organizada.
Naquele momento, Rodrigo titubeou, disse que se arrependera de não ter deixado pelo menos uma das notas com o garçom, pois ela não faria nenhuma falta ao rico homem de negócios, mesmo assim, no momento de decisão, fez a escolha que achava mais justa. O homem ainda tentou oferecer-lhe todo o dinheiro achado, pois o que lhe interessava eram os cartões e também a rara carteira negra. Obviamente a oferta não foi aceita, pois não parecia justa. Trocaram seus cartões de contatos e foram-se para casa: um, feliz por ter achado aquilo que nem o sabia perdido, outro por ter feito aquilo que sua consciência considerava obviamente o correto: devolver ao dono o que lhe é de direito, já que todo aquele dinheiro não era seu.
Hoje em dia, a Unidade Kobrasol está reformada, ainda maior, mais bonita e tem uma óptima estabilidade económica. Rodrigo fez questão de comprar sua prórpia carteira Montblanc, como forma de lembrar-se da justa busca pelo sucesso vista naquele empresário desatento, mas também da ética que deve sempre permear nossa vida.
Mas o mais importante que esta história nos ensina é que não basta mentalizar o que se quer, é preciso fazê-lo com absoluta riqueza de detalhes, em todas as suas nuances. Não adianta apenas imaginar que apareçam notas de 100 a lhe chover em cima, é preciso mentalizar que todas elas sejam realmente suas! Mentalize você recebendo-as em mãos, veja-se segurando e guardando-as com a consciência tranquila de que você fez tudo o que devia e merece ter aquele dinheiro.
É exatamente o que nos ensina nosso Mestre DeRose desde a década de 1960 (Prontuário de Yôga Antigo, edição histórica só para colecionadores):
“Jamais imaginar o que não se deseja ver realizado. O pensamento negativo é mais poderoso do que o positivo, porque o ser humano está educado e condicionado no sentido de utilizá-lo mais. “
“Visualizar somente o que se quer ver realizado e fazê-lo com nitidez e objetividade quase concreta, nos seus mínimos detalhes e minúcias, durante o máximo possível de horas ao dia e todos os dias, ininterrupta, incansável e entusiasticamente, até obter sua cristalização no plano da matéria física.”
“Mentalizar é criar no plano mental o que queremos ver precipitado no nosso mundo individual.”
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26 de março de 2011

Para onde você está indo? Onde quer chegar?

Durante o DeRose Pró - Tático, encontro de profissionais do Método DeRose realizado em Curitiba nos dias 25 a 27 de março de 2011, tratamos de muitos aspectos necessários para o sucesso na nossa profissão.

Mas em todos eles há sempre certos pontos em comum, como alicerces que dão sustentação aos bons resultados, como a disciplina, constância e autossuperação (tapas), a ética (ahimsá, satya, astêya...) o bháva (intenção), e a mentalização (chaittanya) clara e objetiva daquilo que se deseja ver realizado no plano da matéria.

Este último assunto veio à tona em diversos momentos ao longo do evento, seja de forma direta ou nas entrelinhas dos cases apresentados. Afinal, um bom time com um mau técnico não ganha o jogo e um bom técnico com um mau time também não ganha o jogo. Mas um bom time com um bom técnico também não ganha o jogo, se não souber exatamente por que ou para que está jogando, qual a missão, os objetivos, a meta!

Relembremos então este post publicado em 9 de janeiro de 2011, que nos conta uma história muito interessante. Talvez você também se lembre de fatos similares que lhe tenham ocorrido ao longo dessa jornada da vida, e que nos fazem repensar para onde estamos indo ou para onde realmente desejamos direcionar nossas existências.

Um abraço.

DeBona

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Mentalize a coisa certa, do jeito certo

Este artigo foi escrito para publicação no livro Mentalização - o poder de transformar a realidade, do Instrutor Carlo Mea, Diretor da Unidade Parioli (Roma - Itália), Escola Credenciada do Método DeRose.

O livro está em fase final de revisão para publicação em breve, e a publicação antecipada deste trecho é também uma homenagem ao meu amigo Carlo, grande guerreiro do SwáSthya!!

Espero que gostem da leitura e aproveitem a mensagem.

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Professor Rodrigo De Bona é Vice-Presidente da Federação do Método DeRose de Santa Catarina (Brasil), autor de três livros de sucesso e director da Unidade Kobrasol, no mesmo Estado.
Um dia, depois de um período prolongado de obras na sua Unidade, viu-se em dificuldades económicas. Durante um círculo de mentalização (sat chakra) muito poderoso, feito exclusivamente entre os instrutores na sede da sua Federação, mentalizou muito dinheiro se lhe chegando. Imaginou que notas de 100 Reais lhe choviam em cima, muitas e muitas notas a voar em torno de si.
Terminada a prática de mentalização, saiu com os instrutores para jantar em um restaurante próximo. Estacionou seu carro do outro lado da rua e, ao atravessar, viu uma carteira no meio da via, e não era uma marca qualquer, era uma Montblanc! Abriu a carteira e estava cheia de notas de 100 Reais, além de muitos cartões de crédito!
Obviamente, com base no tão especial código de ética da nossa proposta cultural, Professor Rodrigo decidiu imediatamente devolver a carteira ao dono. Abriu-a e achou um documento de mergulhador com foto. Foi-se então à procura do dono: entrou em um café que estava em frente, buscando dentre os clientes sorridentes aquele rosto estático de uma foto 3x4, mas não o encontrou. Chamou um garçom para pedir ajuda, o qual, não tendo também localizado a pessoa dentre os comensais, saiu com ele do estabelecimento para despedirem-se.
Nesse instante, eis que o garçom, ao olhar para o meio da rua, vislumbrou uma nota de 100 Reais a esvoaçar rente ao chão. Depois outra e mais outra ainda. Eram várias, espalhadas pela rua a revoar com o vento em um redemoinho monetário tentador! Foram ao encontro delas para recolhê-las, o garçom pegou uma nas mãos com todo cuidado, pois aquilo era para ele talvez o equivalente a uma semana inteira de trabalho. Mas, rigoroso com seus princípios, Rodrigo lhe pediu de volta a nota e colocou-a na carteira, dizendo que iria devolver todas, juntamente com os documentos, tal qual encontrou.
Na carteira havia alguns cartões de visitas do proprietário, que era dono de uma empresa de táxi aéreo, lojas de automóveis etc. Assim, telefonou na mesma hora para o dono do achado, que estava em casa e, estupefato, informou ainda nem sequer ter-se dado conta de que havia perdido seus pertences. Ele passara de moto naquela rua minutos antes e a carteira caíra do bolso de sua jaqueta, espalhando o dinheiro pela rua ao longo de dezenas de metros. Imediatamente combinaram de se encontrar no caminho para casa e, menos de 10 minutos depois, o empresário já estava com todos os seus cartões intactos, sua bela carteira Montblanc e cada uma de suas notas de 100 Reais devidamente organizada.
Naquele momento, Rodrigo titubeou, disse que se arrependera de não ter deixado pelo menos uma das notas com o garçom, pois ela não faria nenhuma falta ao rico homem de negócios, mesmo assim, no momento de decisão, fez a escolha que achava mais justa. O homem ainda tentou oferecer-lhe todo o dinheiro achado, pois o que lhe interessava eram os cartões e também a rara carteira negra. Obviamente a oferta não foi aceita, pois não parecia justa. Trocaram seus cartões de contatos e foram-se para casa: um, feliz por ter achado aquilo que nem o sabia perdido, outro por ter feito aquilo que sua consciência considerava obviamente o correto: devolver ao dono o que lhe é de direito, já que todo aquele dinheiro não era seu.
Hoje em dia, a Unidade Kobrasol está reformada, ainda maior, mais bonita e tem uma óptima estabilidade económica. Rodrigo fez questão de comprar sua prórpia carteira Montblanc, como forma de lembrar-se da justa busca pelo sucesso vista naquele empresário desatento, mas também da ética que deve sempre permear nossa vida.
Mas o mais importante que esta história nos ensina é que não basta mentalizar o que se quer, é preciso fazê-lo com absoluta riqueza de detalhes, em todas as suas nuances. Não adianta apenas imaginar que apareçam notas de 100 a lhe chover em cima, é preciso mentalizar que todas elas sejam realmente suas! Mentalize você recebendo-as em mãos, veja-se segurando e guardando-as com a consciência tranquila de que você fez tudo o que devia e merece ter aquele dinheiro.
É exatamente o que nos ensina nosso Mestre DeRose desde a década de 1960 (Prontuário de Yôga Antigo, edição histórica só para colecionadores):
“Jamais imaginar o que não se deseja ver realizado. O pensamento negativo é mais poderoso do que o positivo, porque o ser humano está educado e condicionado no sentido de utilizá-lo mais. “
“Visualizar somente o que se quer ver realizado e fazê-lo com nitidez e objetividade quase concreta, nos seus mínimos detalhes e minúcias, durante o máximo possível de horas ao dia e todos os dias, ininterrupta, incansável e entusiasticamente, até obter sua cristalização no plano da matéria física.”
“Mentalizar é criar no plano mental o que queremos ver precipitado no nosso mundo individual.”

1 de março de 2011

Para que serve a meditação?

“Há metafísica bastante em não pensar em nada.
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
e sobre a criação do Mundo?
Não sei.
Para mim, pensar nisso é fechar os olhos
e não pensar.”
Fernando Pessoa
 

A mente é um mecanismo cujo combustível é a dispersão. O alimento da mente é a variedade. Ela pede por diversão, distração. Por isso, em propaganda, a proposta de novidade sempre vende muito mais.

Por isso, também, quando estamos estudando ou trabalhando há muito tempo, nossa mente pede uma pausa, para que possa distrair-se com outra coisa. E se lhe concedermos esse intervalo, ela funcionará muito melhor ao retornar às funções das quais anteriormente estava saturada.

Nesse mesmo sentido, pode-se dizer que uma das funções da meditação é, basicamente, “dar um tempo”. Interromper por alguns instantes o fluxo aleatório de pensamentos, para que, ao retomá-los, isso se dê com mais ordem, mais discernimento, mais... lucidez.

Imagine um computador que está lento. Ele já tem tantas coisas abertas ao mesmo tempo, tantos programas, arquivos, tarefas... que já não funciona direito. O que fazemos? Reiniciamos a máquina, “rebootamos”. É mais ou menos o que a meditação faz com nossa mente, reeinicia nosso HD, para que ele recomece, funcionando bem melhor.


Agora imagine um computador novo. Ele é ágil, responde muito rápido a tudo o que você clica, abre, salva, funciona perfeitamente, instantaneamente. É assim nossa mente quando está limpa dos vrittis, as instabilidades da consciência. Ela funciona mais rápido, mais limpa, mais lúcida.

Mas vamos mais longe, imagine ainda um carro com 5 anos de uso e que você usa todo dia. No final do dia você desliga o motor, e liga de novo no outro dia. Mas imagine que, em vez de desligar, você deixasse o motor ligado durante toda a noite. Como estaria o motor no outro dia? Quanto tempo duraria esse motor? E se esse carro não tivesse 5 anos de uso, mas 20, 25, 30, 40, 50 anos? E com o motor ligado esse tempo todo, dia e noite? Esse carro somos nós!


Você poderia então pensar: tudo bem, pois eu desligo o motor toda noite, quando durmo... Ledo engano. Quando dormimos, desligamos a carcaça do carro: o chassi (corpo), portas (braços e pernas), vidros (olhos), buzina (boca), tanque de combustível (sistema digestivo e excretor). mas não desligamos o motor, não desligamos a mente!

Afinal, passamos a noite toda sonhando, e no dia seguinte, a maioria de nós nem sequer lembra do que sonhou! Isso indica que não só nosso motor mental continuou funcionando toda a noite, como, pior, não estava lúcido, a ponto de não nos lembrarmos do que a mente “pensou” à noite.

Ao meditarmos, desligamos temporariamente nosso motor, nossa máquina principal, nossa mente. Mais, do que isso, desligamos tudo o que estiver "abaixo" dela, todos os demais níveis da consciência escalonada.

Com isso, descansamos a mente, e quando ela retorna ao seu funcionamento, está muito mais ágil, desperta e lúcida. Então medite!


“Penso 99 vezes e nada descubro.
Deixo de pensar, mergulho no silêncio,
e a verdade me é revelada. (Einstein)


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27 de janeiro de 2011

As origens dravídicas do Yôga, Sámkhya e Tantra

Certa vez um famoso bailarino improvisou alguns movimentos instintivos, porém, extremamente sofisticados graças ao seu virtuosismo e, por isso mesmo, lindíssimos. Essa linguagem corporal não era propriamente um ballet, mas, inegavelmente, havia sido inspirada na dança.

A arrebatadora beleza da técnica emocionava a quantos assistiam à sua expressividade e as pessoas pediam que o bailarino lhes ensinasse sua arte. Ele assim o fez. No início, o método não tinha nome. Era algo espontâneo, que vinha de dentro, e só encontrava eco no coração daqueles que também haviam nascido com o galardão de uma sensibilidade mais apurada.

Os anos foram-se passando e o grande bailarino conseguiu transmitir boa parte do seu conhecimento. Até que um dia, muito tempo depois, o Mestre passou para os planos invisíveis. Sua arte, no entanto, não morreu. Os discípulos mais leais preservaram-na intacta e assumiram a missão de retransmiti-la. Os pupilos dessa nova geração compreenderam a importância de tornar-se também instrutores e de não modificar, não alterar nada do ensinamento genial do primeiro Mentor.

Em algum momento na História essa arte ganhou o nome de integridade, integração, união: em sânscrito, Yôga! Seu fundador ingressou na mitologia com o nome de Shiva e com o título de Natarája, Rei dos Bailarinos.

Esses fatos ocorreram há mais de 5000 anos a Noroeste da Índia, no Vale do Indo, que era habitado pelo povo drávida. Portanto, vamos estudar as origens do Yôga nessa época e localizar sua proposta original para podermos identificar um ensinamento autêntico e distingui-lo de outros que estejam comprometidos pelo consumismo ou pela interferência de modalidades alienígenas e incompatíveis.

Tanto o Yôga, quanto o Tantra e o Sámkhya foram desenvolvidos por esse povo admirável. Sua civilização, uma das mais avançadas da antiguidade, ficou perdida e soterrada durante milhares de anos, até que os arqueólogos do final do século xix encontraram evidências da sua existência e escavaram dois importantes sítios arqueológicos onde descobriram respectivamente as cidades de Harappá e Mohenjo-Daro. Depois, foram surgindo outros e outros. Hoje já são milhares de sítios, distribuídos por uma área maior que o Egito e a Mesopotâmia.

Ficaram impressionados com o que encontraram. Cidades com urbanismo planejado. Ao invés de ruelas tortuosas, largas avenidas de até 14 metros de largura, cortando a cidade no sentido Norte-Sul e Leste-Oeste. Entre elas, ruas de pedestres, nas quais não passavam carros de boi. Nessas, as casas da classe média tinham dois andares, átrio interno, instalações sanitárias dentro de casa, água corrente! Não se esqueça de que estamos falando de uma civilização que floresceu 3.000 anos antes de Cristo.

Não era só isso. Iluminação nas ruas e esgotos cobertos, brinquedos de crianças em que os carros tinham rodas que giravam, a cabeça dos bois articulada, bonecas com cabelos implantados, imponentes celeiros que possuíam um engenhoso sistema de ventilação, e plataformas elevadas para facilitar a carga e descarga das carroças.

Noutras culturas do mesmo período, as construções dos soberanos apresentavam opulentos palácios e majestosos túmulos reais, enquanto o povo subsistia em choupanas insalubres. Na cultura dravídica, ao contrário, o povo vivia bem e a arquitetura da administração pública era despojada.

Outra curiosidade foi expressada por Gaston Courtillier em seu livro Antigas Civilizações (Editions Ferni, página 24), quando declarou: "Ficamos verdadeiramente admirados de, nesses tempos profundamente religiosos, não encontrarmos templos ou vestígios da estatuária que os povoaria, como foi regra noutros lugares durante toda a antiguidade, nem sequer estatuetas de adoradores em atitude de oração diante de sua divindade". Para nós isso faz sentido, afinal, sabemos que na Índia Antiga o Sámkhya teve seu momento de esplendor. E na Índia pré-clássica, a variedade Niríshwarasámkhya, foi ainda mais fortemente naturalista que o Sámkhya Clássico.

Sua sociedade foi identificada como matriarcal, o que também está coerente com as nossas fontes, segundo as quais o Yôga surgiu numa cultura tântrica.

Bem, foi nessa civilização que o Yôga surgiu. Uma civilização tântrica (matriarcal) e sámkhya (naturalista).
Cerca de mil e quinhentos anos depois, a Civilização do Vale do Indo foi invadida por um povo sub-bárbaro proveniente da Europa Central, os áryas ou arianos. Consta, na História atual, que estes subjugaram os drávidas, destruíram sua civilização, absorveram parte da sua cultura, exterminaram quase todos os vencidos e escravizaram os poucos sobreviventes. Outros fugiram, migrando para o extremo sul da Índia e Srí Lanka, onde vivem seus descendentes até hoje, constituindo a etnia Tamil." (Existem outras versões para a ocupação ariana, e qualquer uma delas pode perfeitamente ser mais fiel à verdade, porém está é a mais universalmente aceita pelos arqueólogos e historiadores).

(Trecho extraído do livro Tratado de Yôga
DeRose, Ed. Nobel)


10 de janeiro de 2011

Mudrá: gesto de poder ancestral


O termo mudrá, em sânscrito, significa "gesto", "selo", "senha". Como 1º. anga do ády ashtánga sádhana (a prática básica do nosso Método, dividida em oito feixes de técnicas), mudrá significa "gesto reflexológico, simbólico e magnético feito com as mãos".

Entretanto, os mudrás podem e devem ser usados em todos os angas, não apenas nesta primeira parte da aula, pois potencializam o efeito de todas as demais técnicas, sendo assim fundamentais na aplicação prática do Fator Associativo, que faz parte da regra geral de segurança codificada pelo Educador DeRose.

Mudrá é a linguagem gestual. Alguns tipos de Yôga admitem mudrás feitos com o corpo. O Swásthya não os admite, dada a tradução do vocábulo e uma vez que as técnicas corporais possuem outro nome: ásana. Os mudrás têm sua origem na ancestral tradição tantrika, e tanto o Yôga quanto a dança clássica hindu, o Bhárata Natya, deles se utilizam.

Os mudrás são usados no Yôga como chaves, selos ou senhas, para permitir o acesso a determinados setores do inconsciente coletivo (espaço sutil onde estão armazenados todos os conhecimentos e feitos da Humanidade desde seus primórdios). Em nosso organismo, eles atuam por associação neurológica e condicionamento reflexológico: através de um gesto, podemos interferir em nossos condicionamentos – tendências subconscientes (samskára e vasaná) – e acessar nosso inconsciente e o inconsciente coletivo, alterando estados de consciência.

Por isso, são definidos como reflexológicos, por desencadear uma sucessão de estados de consciência e mesmo de estados fisiológicos associados aos primeiros. Como exemplos desses, pode-se citar o Shiva mudrá, que proporciona um estado de receptividade, e o prônam mudrá, que desencadeia um estado de Yôga no sádhaka.

Já os gestos magnéticos atuam da seguinte forma: o corpo humano, como qualquer porção de matéria orgânica, possui magnetismo e polaridades. Energias (o prána e suas diferentes formas) fluem em quantidades e qualidades distintas por todo o organismo. Em suas extremidades – as mãos, modificando-se a disposição e a combinação dos dedos, diferentes reações eletromagnéticas se manifestam. São usados principalmente no pránáyáma, a fim de fechar circuitos eletromagnéticos de bioenergia, evitando a dispersão ou perda do prána, dirigindo-o e manipulando-o de acordo com a técnica que estiver sendo feita. Exemplos: o jñána mudrá e o átman mudrá, para pránáyáma, e o prônam mudrá, que durante o mantra fecha um circuito, fazendo circular energia por todo o corpo recarregando-o.

Os simbólicos, como o próprio nome já diz, simbolizam algum objeto: animais, flores, sol, lua etc. Estes gestos provêm do tempo em que o ser humano tinha muito mais contato com a natureza e a representava no dia-a-dia por meio da movimentação das mãos, ainda nos primórdios da criação do Proto-Yôga. Dentre os 108 mudrás sistematizados por DeRose, a maioria são gestos puramente simbólicos, portanto sem atuação reflexológica ou magnética, como o matsya mudrá, o mrigasírsha mudrá e o ardha súrya mudrá, dentre muitos outros.

Porém, muitos dos mudrás simbólicos são também reflexológicos, pois são gestos arquetípicos já impregnados no registro akáshico, como por exemplo o nandi mudrá, o Shiva linga mudrá e o áváhita mudrá. Há também aqueles simbólicos e magnéticos, pois, além de representar um objeto, ainda atuam na potencialização das polaridades orgânicas, como o próprio prônam mudrá, que fecha um circuito durante o mantra e também simboliza um cumprimento formal entre os praticantes.

Existem ainda duas categorias de mudrá: samyukta hasta mudrá, quando feito com as duas mãos, unidades ou separadas, e asamyukta hasta mudrá, feito com uma mão só.

Observações importantes:
1) Mudrá é muito mais a vivência profundamente concentrada e receptiva do gesto, com intenso bháva, e não apenas a colocação das mãos em uma posição, sem vivenciá-la.
2) Se os mudrás são uma tradição tantrika, o praticante de Swásthya – um Yôga de raízes tântricas – deve cultivá-los com sensibilidade e dedicação, cravejando-os em sua prática diária e, com muito mais empenho, em seu treinamento de coreografia.

Aproveite os mudrás e expanda sua consciência até as extremidades das mãos. É uma experiência fantástica! Depois, o corpo já não será mais o seu limite...
    (Texto adaptado do livro Tratado de Yôga, DeRose, Ed. Nobel)

    8 de janeiro de 2011

    Comentários sobre os kirtans do SwáSthya

    Tenho muito orgulho em poder dizer que o Método que pratico e ensino é a sistematização do Yôga Antigo, o qual, por sua vez, segue a corrente comportamental matriarcal, sensorial e desrepressora Dakshinacharatántrika e o sistema teórico naturalista Niríshwarasámkhya. Pois bem, a maioria dos kirtans do SwáSthya, intuídos por DeRose em um de seus muitos momento de inspiração, tem nítida tendência dessa linhagem Tantra-Sámkhya, evidenciando tais raízes filosóficas ancestrais. Vejamos esse aspecto sobre dois importantes kirtan do SwáSthya.
    O kirtan Jaya Rámakrishnaya faz alusão a um conceituado Mestre de Yôga de linha Dakshinacharatántrika-Vêdánta, nascido no dia 18 de fevereiro de 1836 e falecido em 1886, considerado a encarnação de Krishna e de Ráma. Apesar de analfabeto, teve muita relevância no ensinamento do Yôga e do Hinduísmo em todo o mundo (Léxico de Yôga Antigo, Lucila Silva, Ed. Uni-Yôga, 2007). Conta-se que, quando os discípulos do iluminado Rámakrishna pediam-lhe para explicar o que era o samádhi, o Mestre simplesmente entrava em samádhi. Comparava a mente humana com um inquieto macaco, que tivesse tomado álcool, tivesse sido picado por um escorpião e, ainda por cima, se lhe tivesse ateado fogo ao pelo!
    O mantra ÔM namah kundaliní representa uma saudação à energia ígnea cujo despertamento é imprescindível para o atingimento da meta do Yôga. Os Yôgas tântricos utilizam ativamente essa energia e buscam despertá-la sem medo, culpa ou repressão, e a raiz Sámkhya faz compreender ser esta uma etapa natural do processo evolutivo na senda.
    Já o kirtan ÔM Shiva, ÔM Shaktí é uma clara homenagem aos dois primeiros tattwas (princípios) do Tantra, cujo estudo mais profundo pode ser obtido no livro Yôga Sámkhya e Tantra (Sérgio Santos, Ed. Uni-Yôga). Além disso, sua vocalização se dá de forma repetida, normalmente alternando-se quem vocaliza: ÔM Shiva vocalizado pelas mulheres e ÔM Shaktí pelos homens. Assim, pela sua repetição, seus efeitos são potencializados, produzindo ainda nyása com as propriedades inerentes a esses princípios tântricos fundamentais.
    Já os kirtans Bhávajánandaji, Jaya jaya guru Dê jaya e Pátañjali ÔM namah guruji representam uma homenagem a três Mestres de grande importância no SwáSthya:
    ·    Pátañjali, cuja sistematização do Yôga Clássico permitiu que o Yôga fosse reconhecido como um Dárshana do Hinduísmo, fazendo com que essa filosofia não desaparecesse por completo, e chegasse até nossos dias, ainda que deturpada pela ação da linha do tempo;
    ·    DeRose, o sistematizador do Yôga Antigo, que resgatou no século XX essa estrutura desaparecida há milhares de anos, em um verdadeiro trabalho de arqueologia filosófica e cultural. Por seu trabalho incansável em prol do Yôga, é considerado o mais importante Mestre dessa filosofia na atualidade, com uma vasta obra publicada e milhares de discípulos atuantes em todo o mundo; e
    ·    Bhávajánanda, considerado o patrono da linhagem nobre do Yôga Tantra-Sámkhya. Através de samyama em seu nome e forma (nama-rupa), DeRose estruturou a sistematização do Yôga Antigo. Como ele mesmo relata: “Quem é Bhávajánanda? É meu Mestre, quer tenha vivido, quer não, pois foi através dele, ou seja, da motivação do seu retrato, que consegui me concentrar o bastante para ir ao fundo do inconsciente, resgatar conhecimentos ancestrais que são patrimônio da humanidade.” (Quando é preciso ser forte, DeRose, Ed. Nobel)
    Por fim, o mantra ÔM namah prêma dêva guruji nos alude à importância da figura do Mestre no ensinamento do Yôga e na influência comportamental sobre a vida do discípulo, reforçando a tradição do parampará, tão valorizada no Yôga Antigo, no qual a transmissão do conhecimento se dava exclusivamente de forma oral, no período proto-histórico, em que ainda não havia a escrita.

    (trecho elaborado pelo Prof. Rodrigo De Bona, publicado no livro
    O Poder do Mantra, dos Instrutores Ricardo Melo e Caio Melo)