Mostrando postagens com marcador filosofia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filosofia. Mostrar todas as postagens

5 de julho de 2012

Mentalize a coisa certa, do jeito certo...


Este artigo foi escrito para publicação no livro Mentalização - o poder de transformar a realidade, do Instrutor Carlo Mea, Diretor da Unidade Parioli (Roma - Itália), Escola Credenciada do Método DeRose.

O livro está em fase final de revisão para publicação em breve, e a publicação antecipada deste trecho é também uma homenagem ao meu amigo Carlo, grande guerreiro do SwáSthya!!

----

"Professor Rodrigo De Bona é Vice-Presidente da Federação do Método DeRose de Santa Catarina (Brasil), autor de três livros de sucesso e director da Unidade Kobrasol, no mesmo Estado.
Um dia, depois de um período prolongado de obras na sua Unidade, viu-se em dificuldades económicas. Durante um círculo de mentalização (sat chakra) muito poderoso, feito exclusivamente entre os instrutores na sede da sua Federação, mentalizou muito dinheiro se lhe chegando. Imaginou que notas de 100 Reais lhe choviam em cima, muitas e muitas notas a voar em torno de si.
Terminada a prática de mentalização, saiu com os instrutores para jantar em um restaurante próximo. Estacionou seu carro do outro lado da rua e, ao atravessar, viu uma carteira no meio da via, e não era uma marca qualquer, era uma Montblanc! Abriu a carteira e estava cheia de notas de 100 Reais, além de muitos cartões de crédito!
Obviamente, com base no tão especial código de ética da nossa proposta cultural, Professor Rodrigo decidiu imediatamente devolver a carteira ao dono. Abriu-a e achou um documento de mergulhador com foto. Foi-se então à procura do dono: entrou em um café que estava em frente, buscando dentre os clientes sorridentes aquele rosto estático de uma foto 3x4, mas não o encontrou. Chamou um garçom para pedir ajuda, o qual, não tendo também localizado a pessoa dentre os comensais, saiu com ele do estabelecimento para despedirem-se.
Nesse instante, eis que o garçom, ao olhar para o meio da rua, vislumbrou uma nota de 100 Reais a esvoaçar rente ao chão. Depois outra e mais outra ainda. Eram várias, espalhadas pela rua a revoar com o vento em um redemoinho monetário tentador! Foram ao encontro delas para recolhê-las, o garçom pegou uma nas mãos com todo cuidado, pois aquilo era para ele talvez o equivalente a uma semana inteira de trabalho. Mas, rigoroso com seus princípios, Rodrigo lhe pediu de volta a nota e colocou-a na carteira, dizendo que iria devolver todas, juntamente com os documentos, tal qual encontrou.
Na carteira havia alguns cartões de visitas do proprietário, que era dono de uma empresa de táxi aéreo, lojas de automóveis etc. Assim, telefonou na mesma hora para o dono do achado, que estava em casa e, estupefato, informou ainda nem sequer ter-se dado conta de que havia perdido seus pertences. Ele passara de moto naquela rua minutos antes e a carteira caíra do bolso de sua jaqueta, espalhando o dinheiro pela rua ao longo de dezenas de metros. Imediatamente combinaram de se encontrar no caminho para casa e, menos de 10 minutos depois, o empresário já estava com todos os seus cartões intactos, sua bela carteira Montblanc e cada uma de suas notas de 100 Reais devidamente organizada.
Naquele momento, Rodrigo titubeou, disse que se arrependera de não ter deixado pelo menos uma das notas com o garçom, pois ela não faria nenhuma falta ao rico homem de negócios, mesmo assim, no momento de decisão, fez a escolha que achava mais justa. O homem ainda tentou oferecer-lhe todo o dinheiro achado, pois o que lhe interessava eram os cartões e também a rara carteira negra. Obviamente a oferta não foi aceita, pois não parecia justa. Trocaram seus cartões de contatos e foram-se para casa: um, feliz por ter achado aquilo que nem o sabia perdido, outro por ter feito aquilo que sua consciência considerava obviamente o correto: devolver ao dono o que lhe é de direito, já que todo aquele dinheiro não era seu.
Hoje em dia, a Unidade Kobrasol está reformada, ainda maior, mais bonita e tem uma óptima estabilidade económica. Rodrigo fez questão de comprar sua prórpia carteira Montblanc, como forma de lembrar-se da justa busca pelo sucesso vista naquele empresário desatento, mas também da ética que deve sempre permear nossa vida.
Mas o mais importante que esta história nos ensina é que não basta mentalizar o que se quer, é preciso fazê-lo com absoluta riqueza de detalhes, em todas as suas nuances. Não adianta apenas imaginar que apareçam notas de 100 a lhe chover em cima, é preciso mentalizar que todas elas sejam realmente suas! Mentalize você recebendo-as em mãos, veja-se segurando e guardando-as com a consciência tranquila de que você fez tudo o que devia e merece ter aquele dinheiro.
É exatamente o que nos ensina nosso Mestre DeRose desde a década de 1960 (Prontuário de Yôga Antigo, edição histórica só para colecionadores):
“Jamais imaginar o que não se deseja ver realizado. O pensamento negativo é mais poderoso do que o positivo, porque o ser humano está educado e condicionado no sentido de utilizá-lo mais. “
“Visualizar somente o que se quer ver realizado e fazê-lo com nitidez e objetividade quase concreta, nos seus mínimos detalhes e minúcias, durante o máximo possível de horas ao dia e todos os dias, ininterrupta, incansável e entusiasticamente, até obter sua cristalização no plano da matéria física.”
“Mentalizar é criar no plano mental o que queremos ver precipitado no nosso mundo individual.”
"

30 de janeiro de 2012

A pedra em movimento

A pedra está sempre ali,
Imóvel, imutável, de per si.

Há séculos parece estar
Sempre no mesmo lugar,
Insensível, indissolúvel, inabalável.

Mas está em movimento
Com tamanha sutileza
Que os olhos não o veem
Mas o coração sente.

E se tocar com atenção,
Não do ouvido nem da mão
Mas da própri'alma,
Dá pra perceber o movimento,
Sutil e secular,
De uma pedra viva
A nos observar
Ao longo dos milênios,
Rindo desses seres
De vida tão fugaz.

A sutileza perene está na pedra
Muito mais que em nossa vida
Pois ela está cá e estará
Quando nós já não mais.
.

22 de novembro de 2011

Quem é mais feliz?

A busca da felicidade tem sido um tema recorrente nos dias atuais. Qualidade de vida, bem-estar, conforto, são conceitos que já caíram em descrédito, tamanha a banalização que se fez do seu uso.

Em qualquer meio de mídia vê-se o link do produto com tudo o que há de bom na existência. Vê-se o slogan “compre um apartamento em nosso condomínio e você terá qualidade de vida para sempre”, como se morando lá fôssemos deixar de ter todos os nossos desafios diários afetivos, financeiros, profissionais, filosóficos, urgentes ou crônicos.

E promete-se qualidade de vida em tudo: apartamentos, carros, liquidificadores, geladeiras, celulares (que nos escravizam!), internet, política, polícia, comida, bebida, álcool e outras drogas. Ficou tão corriqueiro que, na minha opinião (com a mão espalmada no peito como faz meu amigo Jojó), usar esses termos chega a queimar o filme da empresa que está tentando vendê-lo.

Pior ainda é a pretens[a opini]ão de comparar felicidade. A minha é melhor do que a sua. Meu trabalho é mais honesto, minha família mais amorosa, sou mais rico...

Como pode alguém, por morar em uma cidade grande, com acesso à internet, celular, carro e todas as mordomias da tecnologia moderna, bem acomodado em seu apertamento, como pode este individuo moderno crer ser mais feliz do que outro que vive no campo, que tem de labutar todos os dias na terra, com calos nas mãos e rachaduras nos pés, cuja pele já carrega as cicatrizes rasgadas pelo tempo e secas pelo sol.

Quem pode afirmar ser mais feliz: um homem que mora no mato ou na metrópole? A dona de casa do interior ou a advogada bem sucedida da capital? Um médico, físico, engenheiro ou professor? Impossível avaliar, pois tão subjetiva é a ponderação sobre os sentimentos da mente humana, que não se pode afirmar haver parâmetro, uma régua ou medida padrão para tamanha comparação.

http://olhares.uol.com.br/cidade_vs_campo_foto1794652.html


Cada pessoa é única, e como tal tem de buscar sua própria felicidade, sua fonte da juventude, aquilo que pode nos fazer tão completos e realizados a ponto de se nos deparamos com um sorriso à toa no meio da tarde, um ócio contemplativo na janela do 9o. Andar. Ou espreguiçar-se em uma reunião, dar-se o incrível luxo de ter – ou não ter – mais luxo, mais tempo, mais nada a fazer. Definitivamente, a maior felicidade está nos momentos mais fugazes e nas menores coisas.

Precisamos de muito autoconhecimento para gerenciar o delicado balanço entre trabalho, família, lazer, saúde, cuidado de si e outras egrégoras, e do resultado disso tudo surge a felicidade mais natural e duradoura, quando tudo entra em sintonia.

É quando a harmonia das esferas se faz ouvir na multidão, basta estar atento. Afinal, a felicidade é instantânea e não duradoura, pontual e não linear, tal qual a própria existência.

.

7 de setembro de 2011

Os Axiomas da Nossa Cultura

Um axioma é uma verdade evidente por si mesma.


Os Axiomas da Nossa Cultura não são verdades absolutas - até porque tais não existem - mas sim dicas para uma boa convivência, pessoal e profissional.


"Estes axiomas são o fruto de muita experiência de vida. Eles foram elaborados pensando em você e para ajudá-lo a tornar sua vida mais fácil. Aceite-os como um presente. Reúna sua galera para desfrutá-los num grupo de debates ou de meditação.


1. Não acredite.


2. Dar segunda chance é dar uma segunda oportunidade para que a pessoa repita a mesma atitude.


3. Repassar sua incumbência a terceiros é uma forma quase infalível de a tarefa sair errada.


4. Deixar recado não funciona.


5. Fazer surpresa quase sempre resulta em desastre.


6. Tudo o que você disser chegará ao conhecimento da pessoa envolvida no comentário.


7. Nada é aquilo que parece ser.


8. Tudo é relativo.


Axioma temporário: E-mail não funciona (a menos que você telefone perguntando se o destinatário conseguiu abrir e ler o arquivo).


Axioma Número Zero (do Joris Marengo): O Mestre sempre tem razão. [Espero que o Joris tenha razão!]"


www.MetodoDeRose.org/blog

.

23 de junho de 2011

O que você tem a ver com a corrupção?

Proponho um pacto meu para com o leitor, de cidadão para cidadão:

Chega de agirmos ou aceitarmos o "jeitinho" como uma coisa normal para levar vantagem para si em detrimento do direito dos outros!

Chega de colocar o interesse individual na frente do coletivo!

Vamos mudar essa cultura horrenda que vigora há 500 anos!

Respeitemos o espaço vital, a ética, os princípios e conceitos do Método DeRose, e estaremos ajudando a melhorar nosso Brasil.

Mais do que isso, sejamos nós exemplos vivos da filosofia que ensinamos.

É disso que precisamos para fazer do nosso país uma potência respeitada no futuro: quebrar esses paradigmas e rótulos que já nos levam mundo afora.

A mudança deve começar já. E lembre-se: mude o mundo; comece por você.


.

25 de fevereiro de 2011

Shiva Natarája

Na Índia, uma das variações mais conhecidas de Shiva é a sua forma Natarája, o Rei dos Bailarinos. Podemos observar em Natarája a combinação do asceta (o yôgi) com o dançarino (o artista). Ambos são considerados idênticos em suas performances, pela completa auto-entrega. Shiva é o criador mitológico do Yôga e das ciências metafísicas hindus, assim como das artes, especialmente a dança e a música.

O mais notável nesta tradicional imagem mitológica de bronze são os quatro braços de Shiva. O tambor na mão direita confirma sua origem pré-ariana: os dravidianos são formidáveis com o tambor. Simbolicamente, o tambor (damaru) é o som primordial, que simboliza o princípio do som, da palavra: do som vem toda a linguagem, a música e o conhecimento. O tambor simboliza também o éter ou espaço, que propaga o som e também o primeiro elemento que surgiu. O Unmai Villakam, versículo 36, diz: "A criação vem do tambor...". Será isso uma surpreendente intuição do big-bang da física moderna? A concordância é, pelo menos, perturbadora.

Com a mão direita, erguida em abhaya mudrá, gesto de afastamento do medo, da proteção e das bênçãos, Shiva diz: "Eu protejo". Na mão esquerda, ao alto, formando a ardhachandra mudrá (gesto da meia lua), ele tem o fogo, como elemento de destruição do mundo, da dissolução da criação. O tambor e o fogo representam o contínuo ciclo cósmico de criação e dissolução. Afronta para os brâhmanes, Shiva reúne em si três funções cósmicas: criação, proteção, dissolução. Para eles, Brahmá cria, Vishnu protege, e deixaram para Shiva o poder inglório de destruir!

A mão esquerda à frente traz a gajahasta mudrá que descreve, na dança indiana, a tromba do elefante. A tromba tem a simbologia do discernimento: o elefante sabe exatamente discernir a força que deve usar quando arranca uma árvore ou quando apanha uma palha no chão. No caminho do autoconhecimento é necessário o discernimento para que possamos separar o que é real (absoluto, eterno, verdadeiro) e o que é irreal (relativo, passageiro, mutante).

O pé esquerdo levantado transmite ao homem que ele também se levante a si mesmo na busca de sua Verdade Interior. O pé direito, neste momento da Dança Cósmica, está apoiado sobre um homem com corpo de criança e rosto de adulto – Apasmara Purusha, simbolizando o ego infantil, a imaturidade emocional, a irresponsabilidade – também chamado de Avidyá, a ignorância, a falta de conhecimento de si e de lucidez. Nataraja controla esses vrittis, essas instabilidades da consciência. Simbolicamente, é a sabedoria subjugando a ignorância: segundo o sábio Pátañjali, a ignorância é o maior obstáculo ao autoconhecimento.

O conjunto repousa num pedestal em forma de lótus, a flor sagrada da Índia que representa os chakras, os poderes interiores inerentes ao Ser Humano. Esta representação de Natarája mostra um círculo de chamas em torno dele, simbolizando a iluminação da consciência, e a dança da natureza, tendo Shiva, o Próprio Um, no centro. Dele tudo emana e nele tudo se dissolve.



Sua cabeleira reúne muitos símbolos. Jóias ornam seus cabelos trançados, cujas mechas inferiores dão voltas, indicando a impetuosidade de sua dança, que mantém o universo: enquanto Shiva dança, o Universo existe; se Shiva parar de dançar, o Universo pára, e se desfaz. Outra fantástica comparação: no grão de areia, para mim insignificante e imóvel, os elétrons giram em torno de si mesmos (o spin), "valsando" ao redor do núcleo dos átomos a milhões de quilômetros por segundo. Se, no cosmo, de repente, todos os elétrons, assim como a energia cósmica, parassem, o universo cairia de imediato no "nada dinâmico" (akasha) de onde proveio!

O rio Ganges brota do alto de sua cabeça, como prova da sua força e poder supremos. No topo de seu jutajata, o cóqui sagrado, o crescente lunar, simbolizando a ascendência de Shiva sobre a dualidade e os humores do dia e da noite. Em sua orelha direita, um brinco de homem, na esquerda, um brinco de mulher, indicando que ele reúne em si os dois sexos, o equilíbrio perfeito, em sua versão Ardhanaríshwara (hermafrodita), eliminando a dualidade do masculino-feminino, do bem-mal, do humano-divino.

Suas jóias acentuam sua divindade: usa ricos colares no pescoço, seu cinto é coberto de jóias preciosas, braceletes ornam seus pulsos, seus tornozelos, seus braços, e leva anéis nos dedos e nos artelhos! Veste um calção de pele de tigre e uma faixa, e uma serpente se enrosca em seus cabelos, sem lhe fazer mal – representando o controle sobre os instintos animalescos, a sublimação.

Todo o conjunto transmite uma impressão de impetuosidade graciosa, leve e fácil: apesar de sua dança desenfreada, o rosto de Shiva continua sereno. Na fronte, abre-se o terceiro olho, o ájña chakra, centro de força responsável pela intuição, que atravessa as aparências e transcende o sensorial.

Para quem sabe ver e, principalmente, perceber, a dança de Shiva, numa concisão comovente, revela o Humano e o Supremo, em uma eterna busca cíclica.

Assim, Shiva é Natarája, o rei da Dança.
.

24 de fevereiro de 2011

Rudráksha - lágrima de Shiva




Rudráksha significa lágrimas de Shiva. É o nome de uma semente considerada sagrada pelos hindus, utilizada para confeccionar japamálás (cordão com 108 contas adotado para execução de japa).

Consta que ela contém uma bactéria que combate inflamações, infecções e outros problemas de saúde física, bem como influencia estados de paranormalidade.

Essa bactéria estaria em estado de suspensão de vida enquanto seca e voltaria a reproduzir-se quando umedecida pelo contato com a pele.

O fato é que ela é reverenciada e seus efeitos louvados até num Shástra, a Rudráksha Upanishad.

.

23 de janeiro de 2011

Felicidade real x miséria existencial

O mundo está cada vez mais globalizado, as mudanças são rápidas, as crianças aprendem cada vez mais cedo a serem adultas. Mas esse processo inexorável de aceleração evolutiva tecnológica que temos acompanhado especialmente nos últimos 50 anos não tem necessariamente trazido felicidade para o Homem.
A informática facilita nosso dia-a-dia, torna-a confortável. Já descobrimos a cura para quase todas as doenças e talvez daqui a poucos anos conquistaremos uma vida quase eterna. Mas apesar de tudo isso o Ser Humano está cada vez mais infeliz.
É como se a ampliação do conhecimento, a descoberta do universo, a evolução da ciência, medicina, filosofia, nos trouxesse ao mesmo tempo um imenso vazio interior, um vácuo existencial – temos tudo o que queremos mas nos falta algo, inexplicável, inatingível.
Nesse contexto, as drogas surgem como uma válvula de escape rápida e eficaz, uma busca fugaz do prazer instantâneo, mas que a longo prazo aumentam ainda mais o abismo interno do ser, a falta de sentido para a existência.
E quantas pessoas conhecemos que sofrem de depressão, são tristes, infelizes, apesar de terem dinheiro, sucesso, fama. Não conseguimos compreender isso! Tudo o que alguns querem é ser famosos, e muitos dos que o são estão infelizes, amargurados...
A filosofia Sámkhya, uma antiga tradição Hindu de milhares de anos, nos ensina sobre o conceito da Tríplice Miséria Existencial. Segundo essa teoria, estamos sempre insatisfeitos com tudo e todos, em três níveis distintos:
  • Com nós mesmos: sempre estamos descontentes com nosso corpo, por exemplo. Ou somos muito gordos, ou muito magros, altos ou baixos. Não gostamos do cabelo, da roupa, da barriga...
  • Com os demais seres: mosquitos no meio da noite, moscas nos atazanando uma refeição, cachorros que latem, o motorista lento do carro da frente, o inepto caixa do banco...
  • Com a natureza em geral: ou está muito frio, ou muito calor. Chove ou faz sol demais... o tempo que não passa... ou que voa...
Além disso, cada vez que conquistamos alguma coisa, aquela necessidade suprida dá lugar a outra, maior e mais complexa, mais difícil de ser atingida. E assim nossa existência passa, escoa pelos dedos, e quando percebemos já se foram 30 anos, 40, 50...
E a crise dos 40 anos? Simples. Corremos feito doidos desde os 15 anos de idade para conquistarmos nossa independência e sobreviver nesse mundo cruel. Estudamos, trabalhamos, e os dias se repetem, praticamente idênticos, um após o outro. Então, quando nos damos conta, alcançamos aquilo que até então julgávamos o mais importante de tudo. Eis que nos acomete um vazio, uma ausência de sentido e razão de ser. O que buscar agora? Nessa fase, muitas pessoas mudam radicalmente de vida, começam tudo de novo, correndo atrás de sonhos abandonados. Outras, sem a mesma força de vontade ou estrutura psíquica, entregam-se à depressão, à televisão, álcool e remédios para dormir.
Mas o que será isso? Terá a Humanidade alguma saída para esse labirinto social e pessoal que nos envolve desde a infância? Podemos nós alcançar a verdadeira felicidade e o sucesso real, que satisfaçam nossa essência, que preenchem nosso interior e não dependem de mais nada nem ninguém a não de nossa própria sensação pessoal de plenitude?
O que você acha? Qual a saída?

8 de janeiro de 2011

Comentários sobre os kirtans do SwáSthya

Tenho muito orgulho em poder dizer que o Método que pratico e ensino é a sistematização do Yôga Antigo, o qual, por sua vez, segue a corrente comportamental matriarcal, sensorial e desrepressora Dakshinacharatántrika e o sistema teórico naturalista Niríshwarasámkhya. Pois bem, a maioria dos kirtans do SwáSthya, intuídos por DeRose em um de seus muitos momento de inspiração, tem nítida tendência dessa linhagem Tantra-Sámkhya, evidenciando tais raízes filosóficas ancestrais. Vejamos esse aspecto sobre dois importantes kirtan do SwáSthya.
O kirtan Jaya Rámakrishnaya faz alusão a um conceituado Mestre de Yôga de linha Dakshinacharatántrika-Vêdánta, nascido no dia 18 de fevereiro de 1836 e falecido em 1886, considerado a encarnação de Krishna e de Ráma. Apesar de analfabeto, teve muita relevância no ensinamento do Yôga e do Hinduísmo em todo o mundo (Léxico de Yôga Antigo, Lucila Silva, Ed. Uni-Yôga, 2007). Conta-se que, quando os discípulos do iluminado Rámakrishna pediam-lhe para explicar o que era o samádhi, o Mestre simplesmente entrava em samádhi. Comparava a mente humana com um inquieto macaco, que tivesse tomado álcool, tivesse sido picado por um escorpião e, ainda por cima, se lhe tivesse ateado fogo ao pelo!
O mantra ÔM namah kundaliní representa uma saudação à energia ígnea cujo despertamento é imprescindível para o atingimento da meta do Yôga. Os Yôgas tântricos utilizam ativamente essa energia e buscam despertá-la sem medo, culpa ou repressão, e a raiz Sámkhya faz compreender ser esta uma etapa natural do processo evolutivo na senda.
Já o kirtan ÔM Shiva, ÔM Shaktí é uma clara homenagem aos dois primeiros tattwas (princípios) do Tantra, cujo estudo mais profundo pode ser obtido no livro Yôga Sámkhya e Tantra (Sérgio Santos, Ed. Uni-Yôga). Além disso, sua vocalização se dá de forma repetida, normalmente alternando-se quem vocaliza: ÔM Shiva vocalizado pelas mulheres e ÔM Shaktí pelos homens. Assim, pela sua repetição, seus efeitos são potencializados, produzindo ainda nyása com as propriedades inerentes a esses princípios tântricos fundamentais.
Já os kirtans Bhávajánandaji, Jaya jaya guru Dê jaya e Pátañjali ÔM namah guruji representam uma homenagem a três Mestres de grande importância no SwáSthya:
·    Pátañjali, cuja sistematização do Yôga Clássico permitiu que o Yôga fosse reconhecido como um Dárshana do Hinduísmo, fazendo com que essa filosofia não desaparecesse por completo, e chegasse até nossos dias, ainda que deturpada pela ação da linha do tempo;
·    DeRose, o sistematizador do Yôga Antigo, que resgatou no século XX essa estrutura desaparecida há milhares de anos, em um verdadeiro trabalho de arqueologia filosófica e cultural. Por seu trabalho incansável em prol do Yôga, é considerado o mais importante Mestre dessa filosofia na atualidade, com uma vasta obra publicada e milhares de discípulos atuantes em todo o mundo; e
·    Bhávajánanda, considerado o patrono da linhagem nobre do Yôga Tantra-Sámkhya. Através de samyama em seu nome e forma (nama-rupa), DeRose estruturou a sistematização do Yôga Antigo. Como ele mesmo relata: “Quem é Bhávajánanda? É meu Mestre, quer tenha vivido, quer não, pois foi através dele, ou seja, da motivação do seu retrato, que consegui me concentrar o bastante para ir ao fundo do inconsciente, resgatar conhecimentos ancestrais que são patrimônio da humanidade.” (Quando é preciso ser forte, DeRose, Ed. Nobel)
Por fim, o mantra ÔM namah prêma dêva guruji nos alude à importância da figura do Mestre no ensinamento do Yôga e na influência comportamental sobre a vida do discípulo, reforçando a tradição do parampará, tão valorizada no Yôga Antigo, no qual a transmissão do conhecimento se dava exclusivamente de forma oral, no período proto-histórico, em que ainda não havia a escrita.

(trecho elaborado pelo Prof. Rodrigo De Bona, publicado no livro
O Poder do Mantra, dos Instrutores Ricardo Melo e Caio Melo)


24 de dezembro de 2010

Qualidade de vida urgente!


Qualidade de vida urgente!

Há 15 anos tenho conhecido centenas de pessoas que nos procuram para praticar o Método DeRose. O motivo da busca? Precisam de alguma filosofia pelas mais variadas causas. No fim, todos querem - ou necessitam - melhorar sua qualidade de vida.
O que está acontecendo com nossa sociedade?
As pessoas trabalham e estudam muito, lutam a cada dia pela sobrevivência. Ainda é preciso dar atenção à família e, no fim de tudo, após uma longa e dura semana, contentam-se com algumas horas de lazer fugaz: tomar umas cervejas, comer um churrasquinho, olhar TV e acordar na segunda-feira ainda meio de ressaca, para começar tudo de novo.

A vida está passando...
Assim passa a vida para a maioria das pessoas, e sem perceber você já está com 20, 30, 40, 50 anos! E a qualidade de vida? E o prazer, a alegria, a auto-estima, o tesão?
Tudo isso tem ficado sempre em último plano na vida da maioria de nós. E normalmente nos queixamos de falta de tempo, como sendo a causa de tudo.
Mas é tudo uma questão de prioridade. Basta classificarmos as nossas rotinas e tarefas segundo sua importância e urgência. Algumas coisas podem ser muito importantes, mas não são urgentes, e vice-versa.

O que é mais importante?
O problema é que nesse caso nossa qualidade de vida passa a não ser importante - e muito menos urgente - no nosso dia-a-dia. E quando nos damos conta, a barriga cresceu, o colesterol está alto, a resistência física e o vigor sexual já não são os mesmos.
Nesse ponto, a insatisfação já tomou conta da personalidade, e passamos a ficar ranzinzas e sem perspectivas, deprimidos ou amargurados, contando os anos para a aposentadoria. Só que muitas vezes aposentar-se é a própria sentença de morte que faltava: se a rotina e a pressão do trabalho já não eram bons, a ociosidade pode ser ainda pior.
Então o que fazer?

Dicas para o dia-a-dia
Tome algumas medidas simples porém eficazes para melhorar a sua qualidade de vida e garantir saúde e longevidade. Aqui vão minhas dicas:
1- faça uma atividade física (natação ou caminhada) 2 ou 3 vezes por semana;
2- cuide da alimentação: reduza ou elimine as carnes, frituras, sal e açúcar. Abuse das frutas, verduras e legumes;
3- durma bem: pelo menos 7 a 8 horas diárias (não adianta recuperar o atraso no fim-de-semana);
4- namore mais, vá mais ao cinema e à praia;
5- dedique alguns instantes só para você, sem família, sem trabalho - aprenda a meditar;
6- adote uma filosofia saudável de vida - algo que trabalhe o corpo sem esquecer a mente, que seja completo e promova saúde e autoconhecimento, com um aperfeiçoamento multilateral. Algo que lhe dê alegria e muito prazer... Pratique o Método DeRose!

Para meditar
"Dificuldades e obstáculos fazem parte da vida, e viver é a arte de superá-los." (DeRose)